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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O QUE VOCÊ TEM
A VER COM A MÍDIA?

Antonio Barbosa Filho, jornalista

O amigo leitor e a simpática leitora podem não perceber, mas todas as suas opiniões sobre qualquer assunto são baseadas naquilo que lê, ouve e vê, desde criança. A família e a escola são fundamentais nessa formação de opinião, mas desde que você começa a entender um pouco mais, a mídia (os meios de Comunicação, isto é, o rádio, o jornal, a revista, a TV e, agora, a internet) passam a ter papel predominante na sua cabeça, no que você pensa e na maneira como vê o mundo e a sociedade.

Por isso, é óbvio que quanto mais informações diferentes você receber, mais embasada será a sua opinião - você observa vários pontos de vista, medita sobre eles, e tira suas próprias conclusões, usando este dom maravilhoso que todos temos, que é a INTELIGÊNCIA.

Ao contrário, se você recebe apenas um tipo de informação, uma visão política ou cultural, só poderá concluir sua opinião naquela mesma linha. Não há contraditório, não há comparação de ideias. É como se você só enxergasse quatro cores, o vermelho, o azul, o verde e o amarelo. Você jamais saberia das belezas do marrom ou do violeta (estou falando sobre informações do dia-a-dia, não sobre a infinidade de cores que surgem das elementares, ou básicas).

Para você escapar desta "escravidão" informativa, terá muito trabalho, terá que entender outros idiomas, ou, modernamente, pesquisar muito na internet. (Ou, para seguir no exemplo acima, aprender a misturar muito bem as cores, até chegar a novos tons da Verdade que busca).

O que acontece com a mídia brasileira é que ela tem uma "pauta única". Eu explico com um exemplo:

Nos anos 90, a mídia inventou um candidato a presidente da República e o mostrou ao povo como um cara que não era político, um inovador, um inimigo da corrupção, o "cassador de marajás" chamado Fernando Collor. Naquele momento, a mídia concentrada nas mãos de seis ou sete famílias que ganharam suas rádios e TVs da ditadura militar, e ficaram milionárias com isso, queria evitar a eleição de um sindicalista barbudo chamado Lula, e para tanto inventaram um "herói".

Como o presidente Collor começou a desobedecer as ordens daquelas famílias, e havia um imenso esquema de corrupção em torno dele, a mesma mídia iniciou uma campanha gritante para desmoralizar a sua própria cria. "Descobriu" que Collor era político desde sua família, que seu pai, senador, havia matado um colega a tiros no plenário do Senado, enfim, a mídia levou o povo para as ruas e conseguiu fazer Collor renunciar antes de ser cassado.

Naquele momento, os seis ou sete "donos" da Comunicação perceberam que podiam colocar e tirar do poder quem eles quisessem. A mídia virou Partido, o mais forte e organizado de todos, e o que tem mais influência sobre a população. Este Partido pode esconder fatos de você, ou inventar outros, de tal maneira que você acaba pensando que tem ideias próprias, mas faz exatamente o que eles mandam.

Por isso, a Constituição de 1988, que está em vigor, determina que ninguém pode ter monopólio, ou seja, que tenha domínio total sobre a Informação. Só que os artigos que dizem isso nunca foram regulamentados por leis específicas, e sem isso, não podem ser aplicados. Nos EUA nenhuma empresa pode ter rádio, TV e jornal na mesma cidade, para não influenciar totalmente as várias audiências, vendendo uma só ideia. A Constituição brasileira diz a mesma coisa, mas aqui nunca foi cumprida.

Um grupo empresarial como o Globo, por exemplo, tem rádios, jornais, revista, TV aberta, TV a cabo e portais na internet. Ou seja, você pode mudar de "estação", ler, ouvir ou ver, e continuará obedecendo o pensamento da família Marinho. E achando que está bem informado!

Regulamentar os artigos da Constituição significa isso: cumprir a Lei Maior, eliminar os monopólios proibidos (como na Grã-Bretanha, na Suécia, nos Estados Unidos, na Argentina, na França, etc), e com isso criar espaço para outras vozes na Mídia.

Quando se fala nisso, as sete famílias levantam a bandeira da Liberdade de Imprensa, como se não fossem elas as únicas que praticam Censura no Brasil! O falecido dono da Globo, Roberto Marinho, dizia: "O que me dá poder não é o que eu publico, é o que eu deixo de publicar".

Para democratizar a Mídia será preciso que você se revolte contra esta ditadura de sete famílias sobre o seu pensamento e exija o seu direito de se informar de várias fontes diferentes. Aí sim, você poderá escolher o veículo de comunicação em que mais confia, ou absorver informações de todos e tirar suas conclusões em plena LIBERDADE.

Pense bem, amigo(a)  leitor(a): você prefere continuar sendo manipulado(a) por uns poucos "donos" da Informação, ou pensar com sua própria cabeça, tendo acesso a vários pontos de vista. Sei que é mais fácil obedecer sem raciocinar. Mas se você me leu até aqui, é sinal de que tem INTELIGÊNCIA e não vive como gado. 

Parabéns!