Páginas

sábado, 31 de janeiro de 2015

SOLIDARIEDADE AOS JORNALISTAS
ANTONIO BARBOSA FILHO E IRANI LIMA

Silvio, Prado, professor

Fazer jornalismo de verdade custa muito caro em Taubaté. Em 2013, ladrões limparam o Diário de Taubaté. Ninguém sabe como a redação foi invadida, num final de semana e em pleno dia, e o jornal ficou limpo. No finalzinho de dezembro de 2014, fizeram o mesmo com a Tevê Cidade. E mais: alem da limpeza, tentaram incendiar a casa onde funciona esse órgão de imprensa extremamente importante para nossa cidade e região, espaço dedicado ao exercício da liberdade de expressão e opinião.

Como se fosse pouca coisa um jornal e uma emissora de tevê invadidos em tão pequeno espaço de tempo, a cidade agora enfrenta o julgamento de dois valorosos jornalistas que cometeram o grave erro de fazer jornalismo de verdade e denunciar gente que em Taubaté se acha intocável.

rani Lima, certamente o mais destacado blogueiro da região,e o jornalista Antonio Barbosa Filho, estão na mira da justiça. Não empunharam armas, não roubaram, não mataram, não dirigiram bêbados ou drogados,não cometeram o crime da pedofilia, não estupraram,não formaram quadrilhas e nem meteram a mão em qualquer centavo do dinheiro púbico.

O que eles fizeram foi simplesmente usar a coragem e o poder investigativo para vasculhar processos onde a família Ortiz está sendo condenada por usar verbas da educação pública na campanha eleitoral de 2012. Dentro de suas limitadas possibilidades, o trabalho dos dois jornalistas fez o que a chamada imprensa regional não quis fazer. O escândalo Ortiz, envolvendo desvios de verbas da FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação -, chegou aos olhos da população pelo incansável e corajoso trabalho dessa dupla, sempre em conjunto com um pequeno número de cidadãos taubateanos, como Chico Oiring e o professor Fernando Borges.

Portanto,pela ousadia, no final de fevereiro os jornalistas se defrontarão com a justiça (justiça???) e poderão até ser condenados, mesmo que o país inteiro reconheça o grande trabalho prestado por essa dupla valorosa que não deu sossego e marcou em cima cada passo do processo que, infelizmente, mostrou que Taubaté não tem só a literatura de Lobato e o cinema de Mazzaropi como referências dignas, mas é também a cidade em cujo principal presídio se criou a mais poderosa facção criminosa do pais e, como se quisesse completar essa contribuição ao crime nacional, produz, quase em escala industrial, corrupção e corruptos pra ninguém botar defeito.

Se a sociedade taubateana tivesse um mínimo de ética e consciência, ao invés do constrangimento do processo Irani e Barbosa seriam homenageados pelo excelente trabalho de utilidade pública prestado ao município e aos interesses da cidadania.

Mas, infelizmente, estamos em Taubaté, terra de ficção de péssimo gosto que brota do espírito de alguns coronéis sobreviventes dos tempos do pelourinho e da chibata. Por isso, em nome da verdadeira JUSTIÇA , peço solidariedade aos lutadores Irani Lima e Antonio Barbosa Filho.