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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

ALCKMIN, EDUCAÇÃO E PAPEL HIGIÊNICO

Silvio Prado, professor

Tem início hoje as aulas na rede estadual de ensino do estado mais rico do país, São Paulo. Mais de 4 mil escolas espalhadas por 625 cidades acolherão quase cinco milhões de alunos. Sob o trabalho de 250 mil professores, tamanha massa de estudantes deveria receber de um estado riquíssimo o melhor que a educação pública poderia oferecer, pois São Paulo não é pouca coisa em termos econômicos. Seu orçamento em 2015 alcança um impressionante 204 bilhões de reais.

No entanto, comparando o atual orçamento com o de 2014, em termos proporcionais a educação paulista deixará de receber 800 milhões de reais, o que causa críticas de pessoas e entidades preocupadas com os rumos da educação estadual. Coisas gravíssimas ocorrem na educação comandada pelo governador Geraldo Alckmin, agora no seu quarto mandato.

Mesmo riquíssimo, São Paulo ocupou no ano passado o décimo lugar na Prova Brasil. É escandaloso constatar que Ceará, Espirito Santo e Acre, que são reconhecidos como estados pobres, apareceram classificados em sua frente. Pelos resultados da avaliação, com menos recursos foi possível nesses três estados produzir educação de melhor qualidade.

O quadro traçado acima é o resultado de um projeto que não coloca, em São Paulo, a educação pública como prioridade e com isso cria fatos que provocam vergonha e indignação em qualquer pessoa civilizada. O que esperar de uma administração pública que, especialista em maltratar a educação, permite que o corte de verbas educacionais faça sumir das escolas até mesmo papel higiênico? Como aceitar passivamente cortes de verbas da educação sem considerar os escândalos acumulados na FDE – Fundação Para o Desenvolvimento da Educação – espaço público onde máfias estão organizadas para surrupiar o dinheiro do contribuinte?

Portanto, o ano letivo que hoje se inicia não terá novidade alguma do ponto de vista administrativo, mas será possivelmente o começo de mais um desastre pedagógico, considerando entre outras coisas o corte de verbas para o ensino. Será mais um ano em que o professor comerá o pão que o PSDB amassou, que salas de aulas do período noturno serão fechadas na maior cara de pau, que professores, inclusive efetivos, serão humilhados trabalhando em três ou quatro escolas, muitas vezes localizadas em cidades diferentes.

Será o ano da confirmação do fracasso da chamada Escola de Tempo Integral, já com verbas cortadas e professores dispensados. Será mais um ano de reformas superfaturadas em centenas de unidades escolares, salas superlotadas, assédio moral permanente, aumento escandaloso de professores doentes e também aumento de perícias e afastamentos da sala de aula.

Enfim, nada de novo nesse novo ano pedagógico tucano. A única novidade possível será o aparecimento de um espírito de rebelião e inconformismo a partir dos mais de 200 mil professores públicos estaduais diariamente humilhados. Sem essa rebelião ou revolta do professor, Alckmin e os tucanos seguirão perenes no seu propósito de destruir a escola pública e acelerar o seu processo de privatização.