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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

MANIFESTO DE SOLIDARIEDADE
AOS BLOGUEIROS TAUBATEANOS

Silvio Prado, professor

O que esperar da Justiça a não ser que ela seja justa, ou seja, faça de fato justiça? O que esperar de um juiz a não ser sua obsessão pela isenção, imparcialidade, buscando com precisão apenas a verdade?

Que a justiça, em nenhum outro lugar, inclusive em Taubaté, não trucide a lei e nem faça dela laço estrangulador daqueles que não tem sob os pés os alicerces que sustentam o capital.

Que os juízes também, inclusive os daqui, não desprezem as razões da ética e exijam a presença do contraditório nas conclusões de sentenças ou juízos derradeiros.

Enfim, que treva alguma penetre os tribunais e nem traga orientações desvirtuadoras do sentido preciso da justiça, tanto aqui como em qualquer outro lugar desse pais enlouquecido pelos interesses imediatos de meia dúzia de poderosos suspeitos de tanta coisa mórbida.

Escrevo estas palavras um tanto assombrado com o que vejo saindo dos muitos tribunais brasileiros, onde juízes parecem esquecidos de conceitos que ajudaram na civilização dos costumes. Ao escrever, penso objetivamente em dois taubateanos magníficos e exemplares, o jornalista e blogueiro Irani Lima e Antonio Barbosa Filho.

Dentro de alguns dias os dois, como se fossem criminosos, estarão diante de um juiz sem terem cometido qualquer ato que desabonasse a profissão que escolheram, ou mesmo como cidadãos.

Eles não traficaram, não roubaram, não mataram, não fizeram falcatruas com o dinheiro público, não cometeram crime de pedofilia ou assédio moral. Não estupraram qualquer mulher ou cometeram qualquer leviandade que tivesse ferido a lei Maria da Penha.

No entanto, estão sendo tratados como criminosos apenas porque exerceram dignamente o oficio de jornalista denunciando o cenário de desencantos e mutretas que compôs a ascensão e a queda do atual prefeito de Taubaté.

Portanto, serão julgados sem terem cometido crime algum. Aliás, com suas denúncias prestaram um belo serviço de utilidade pública e por isso passam por constrangimentos e são colocados na condição de réu.

Taubaté deveria agradecer por ter entre seus mais de trezentos mil habitantes duas pessoas de tão grande porte moral e plenamente identificadas com o interesse público. Porém, se houver vacilo da sociedade, os dois exemplares cidadãos poderão até ganhar cadeia.

A ocasião pede que seja aqui lembrada uma importante frase cujo autor agora me escapa: “a injustiça cometida contra um não passa de uma ameaça feita contra todos."