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quinta-feira, 19 de março de 2015

CRITICA AO PACOTE ANTICORRUPÇÃO

José Carlos Cataldi, jornalista e advogado

Algum acerto assiste aos críticos do pacote anticorrupção apresentado pela presidente da república: demorado, demagógico e inócuo. Afinal, toda vez que Dilma Rousseff se viu apertada falou nele. Desde as manifestações de 2013, durante a campanha de 2014, e, finalmente agora, sem qualquer novidade que superasse a eficiência do código penal, se bem aplicado.

Mesmo assim o dia estava relativamente bom para enfrentar a queda de popularidade. Dilma até mudou de roupa e podia até cantar: vesti azul, minha sorte então mudou... não fosse o pavio curto de Cid Gomes, empurrado á Câmara para se retratar por ter parafraseado o então deputado Lula, indicando a existência de pelo menos 300 picaretas no parlamento. Desandou o caldo na relação entre o executivo e o legislativo.

Numa coisa, porém, a presidente acertou. Quando disse que a corrupção é uma senhora muito antiga no Brasil. Afinal, fomos colonizados por degredados portugueses que subornaram as cortes, dando imóveis em troca de títulos de nobreza, como ‘baronesa de mataporcos’. Depois, Dom João Sexto comprou o silêncio do comendador Fernando Carneiro Leão, amante da mulher dele, Dona Carlota Joaquina; fundando e dando a ele a presidência do Banco do Brasil.

Mas voltando ao pacote, parece tão óbvio quanto a lição cantada do palhaço carequinha: “o bom menino não faz xixi na cama... O bom menino não faz malcriação... O bom menino vai sempre à escola... E na escola aprende sempre a lição...”. Ainda assim, menos demagógica que a proposta do PSDB, sugerindo a extinção de Partidos políticos que tenham aceitado propina... Será que quer isso mesmo?

Falei e disse!