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quinta-feira, 12 de março de 2015

NEM TODO TUCANO É TUCANALHA

Reproduzo artigo do deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB), publicado no sítio da Assembleia Legislativa do Espírito Santo

Artigo: Impeachment – solução? Esperteza? Oportunismo? A história ensina, quem aprende?

1990 - Fernando Collor de Melo assume a presidência, primeiro presidente eleito democraticamente, após a ditadura. Collor surge como “salvador da pátria”, o “caçador de marajás”. Em 1992, com políticas econômicas desastrosas, conchavos com o que há de pior na política nacional, denunciado por corrupção pelo próprio irmão, Collor começa a ser alvo de uma série de manifestações estudantis pelo país afora. O principal nome na liderança desses movimentos é Lindberg Farias, então presidente da UNE. A pressão dos movimentos, que ganha adesão de vários segmentos da sociedade, resulta no processo de impeachment do Collor.

Na época, as pessoas acreditaram que Collor e seu grupo formavam o grande problema do Brasil: era como se a cassação dele fosse redimir a nação de todos os males relacionados à corrupção. Collor foi cassado pelo Congresso Nacional, formado em grande parte por parlamentares que não tinham moral para acusar ninguém (muitos dos quais estão na política até hoje). Muitos desses políticos se aproveitaram daquele momento para se juntar as vozes das multidões como se fossem honestos e não tivessem envolvidos em vários esquemas tão podres quanto aquele que envolvia o presidente da república. O tempo mostrou que a cassação de Collor não inibiu a corrupção, muito pelo contrário, de 1992 pra cá a corrupção aumentou e se aprimorou, ou seja, não adianta enxergar a corrupção de forma pontual, porque ela está entranhada nos três poderes e em todos os lugares. Ou moralizamos as instituições ou não vamos resolver nada.

A lista de corruptos divulgada essa semana, relacionada ao caso do petróleo, tem COLLOR e LINDBERG FARIAS, aquele que em 1992 foi um dos principais líderes do movimento “cara pintadas”, o fora Collor. Isso por si só mostra o quanto a situação da corrupção vai muito além de ver em alguém o maior culpado pela situação.

Sem sombra de dúvida que o governo petista aprimorou bastante os esquemas de corrupção, mas não inventou tudo isso, e não está sozinho. Lembremos que a base governista até pouco tempo contava com cerca de 13 partidos, e mesmo a oposição tem muitas coisas obscuras a explicar.

As manifestações que devem ocorrer essa semana pedem o impeachment de Dilma, mas a história mostra que isso não é a solução, porque ela não é a culpada maior pelo que está ocorrendo no país. É ingenuidade ou desconhecimento acreditar nisso e, mesmo que Dilma seja cassada, quem assume o governo é Michel Temer, o vice-presidente que é do PMDB, partido que tem vários caciques envolvidos até o pescoço com esquemas de corrupção, principalmente os presidentes da Câmara e do Senado.

Hoje, se houvesse uma investigação séria e imparcial em todas as esferas de poder e em todos os estados e municípios, facilmente chegaríamos a conclusão de que o esquema de corrupção da Petrobrás não é o maior escândalo de corrupção ou o maior problema do país. Existe uma quantidade imensa de bandidos tentando fazer acreditar que Dilma é o problema. Claro que ela também tem culpa, mas se a corrupção não estivesse entranhada em todas as instituições, especialmente nos partidos políticos e no Congresso Nacional, não teríamos chegado a essa situação. É bom não esquecer os grandes empresários que financiam os bandidos que estão no poder e sonegam bilhões anualmente, e fazem discurso contra a corrupção. 

Um possível processo de cassação de Dilma tem que ser feito e votado pelo Congresso. Quantos partidos e parlamentares têm moral para tanto? Dos 81 senadores, 13 foram citados na lista de envolvidos no esquema da Petrobrás (isso por enquanto). E sempre lembrando, os presidentes da Câmara e do Senado, ambos do PMDB de Michel Temer, estão na lista.

Diante de tudo isso defendo que as manifestações deveriam ser pela moralização geral do país e de suas instituições, e contra todos que contribuem/contribuíram para essa situação. Cassar um bode expiatório é tudo que os corruptos e as quadrilhas de plantão precisam para continuar exatamente onde sempre estiveram. A medida que se repete a exaustão que Dilma é a grande vilã, perde-se cada vez mais a compreensão de que ela é apenas uma peça na gigantesca engrenagem da corrupção no Brasil. A história ensina, aprende quem quer.

Mais informações: Assessoria de Comunicação
Deputado: Sergio Majeski
Telefone: (27) 3382-3581