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quinta-feira, 26 de março de 2015

ORTIZ JUNIOR QUE SE CUIDE!

Silvio Prado, professor

Hoje, 25 de março, como estava previsto, ocorreu a manifestação de professores e funcionários públicos diante do prédio da prefeitura, na Praça Bom Conselho. Por volta de cem funcionários municipais estiveram presentes. Considerando o horário (momento de relaxar, refazer as energias com uma bela refeição ou de seguir em direção de outra escola), a distância da prefeitura e do local do trabalho de quem desejava participar, e também o rotineiro assédio sobre os funcionários, o número de presentes foi significativo e serve de alerta ao prefeito Ortiz Junior.

Ou ele revê a relação desastrosa que mantém com o funcionalismo público, principalmente os professores, ou momentos de tensão o aguarda, proporcionando inclusive o aumento do descrédito que a população atualmente tem por ele. Ortiz não pode continuar se omitindo diante dos interesses dos funcionários e não adianta emitir ordens duras que deverão ser cumpridas por seus diretores de confiança, dentro da escola ou nas diversas secretarias da prefeitura. Pelo que vi hoje, nenhum funcionário deseja a continuidade desse estado de coisas e nem está disposto a acata-las.

A prática do assédio moral sobre o funcionário já alcançou o teto e daqui para frente, quando não ganhar denúncias nas ruas, vai percorrer de forma mais rotineira os caminhos dos tribunais. Administrar a máquina pública com mão de ferro só “funcionou” durante a ditadura militar e, depois de vinte anos de prejuízos sociais e políticos bem conhecidos, desmoronou como um castelo de areia. A constatação é que esse procedimento, que tem adoecido professores e funcionários, e destroçado a qualidade do serviço público, se algum dia funcionou em Taubaté, agora tende a não funcionar mais.

Portanto, daqui para frente a situação promete ser outra. Para o dia 11 de abril, funcionários e professores vão tomar o centro da cidade e aprofundar criticas e pressões sobre o governo Junior. Como se trata de um sábado, onde geralmente o centro de Taubaté é tomado por milhares de pessoas, o ato promete ser mais uma cena do funeral político do prefeito, acuado pela justiça e agora também, de forma crescente, pelo funcionalismo.

Professora leva pão com mortadela em manifestação da categoria
por melhoria salarial e um "rivotril" para manter a calma
Se for confirmado o crescimento dessa onda de pressão, logo logo a população estará nas ruas contra o prefeito. E dessa vez não acontecerá com ele o que aconteceu com o ex-prefeito Roberto Peixoto, acuado e pressionado por grupos de falsa transparência ética, que visavam apenas alimentar de votos um e outro nome da política da cidade.

A pressão sobre Ortiz Junior não virá dos setores politicamente atrasados da classe média da cidade, que se avermelham com notícias de corrupção mas não estão nem ai para a vergonha salarial dos professores, do assédio sobre o funcionalismo ou mesmo por coisa mais graves e acintosas, como o abandono da saúde que gera dramas e mortes entre os mais pobres.

A pressão virá debaixo, de gente pobremente assalariada, descontente com a qualidade do serviço público e solidária com aqueles que, como os professores e funcionários, dão agora os primeiros passos na direção de uma época de muitas lutas e confrontos. Dessas lutas e confrontos é que a cidade conseguirá conquistar e preservar um mínimo de vida civilizada, coisa que o governo Ortiz Junior e seus apoiadores desconhecem.