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segunda-feira, 23 de março de 2015

PÃO COM MORTADELA, QUE DELÍCIA!

Silvio Prado, professor

Pelo menos 80 professores municipais compareceram na quarta-feira, pontualmente as 12 horas, em frente ao prédio da prefeitura municipal de Taubaté na Praça Bom Conselho. Vindos de diversas escolas da cidade, sacrificaram o horário do almoço especialmente para dizer ao prefeito Ortiz Junior que não suportam mais, além dos salários defasados, as péssimas condições de trabalho predominantes hoje na rede municipal de ensino.

É claro que ao invés de 80 poderiam ser 800 ou até mil professores. Porém, diversos fatores impediram o comparecimento de um número maior de docentes municipais. Por ser horário de almoço, muitos não teriam tempo de sair da escola, participar do ato e voltar a tempo para o segundo turno de trabalho. Outros talvez não tenham tido a informação sobre o evento. Mas o principal motivo da ausência de muitos professores não há dúvida que foi o medo provocado pelo processo de continuo assédio que os municipais sofrem de diretores, supervisores, todos capitaneados pela Secretaria da Educação. O assédio moral é um dos combustíveis mais usados para fazer funcionar a máquina da educação em Taubaté.

A professora Nivea, uma das dirigentes mais representativa dos professores municipais, deixou claro em sua fala o que é trabalhar nas salas de aulas da prefeitura e, depois de denunciar a política nociva do prefeito Ortiz Junior, atacou direto o sindicato dos professores municipais.

Até os mosquitos da dengue sabem que tal sindicato é uma grande farsa, uma espécie de brinquedinho de estimação que o prefeito usa quando quer e como quer para atordoar a vida dos professores e o funcionalismo municipal em geral. É um braço do prefeito, extensão de sua vontade no meio do funcionalismo.

Quando a professora Nivea falou que o sindicato fala com o prefeito sem consultar a base, foi muito aplaudida: “Ele(o sindicato) faz consulta irreal pela internet. Quem tem de falar por nos somos nós”. Presente ao ato e representando a APEOESP, o professor Fernando Borges acusou a prefeitura de não querer abrir dialogo com os professore e destacou a parte autoritária da administração. Resumindo o que foi falado nos 30 minutos de duração do ato de quarta-feira passada, mostrou um quadro completamente desfavorável aos municipais.

Conversando com vários professores lá presentes, conclui que a maioria dos problemas enfrentados por eles tem similaridade com os problemas enfrentados pelos professores da rede municipal. É falta de material pedagógico, assédio moral permanente, desrespeito com a data base para negociação, 40% de defasagem salarial diante da inflação, escolas que ainda neste mes de março não distribuiu cadernetas para os professores, secretaria da educação negando licença medica expedidas por médicos especialistas da rede privada, enfim, um desrespeito geral ao professor, profissional estratégico para o desenvolvimento humano e social de um pais.

Na mesma semana, depois do ato, o vereador João Vidal, defensor e lambebotas do prefeito Ortiz Junior, ocupando a tribuna da Câmara desceu o malho no movimento. Cego profissional, o vereador chegou ao cúmulo de insinuar que o movimento tem a mão do PT. Numa avaliação de conjuntura própria de quem não sabe o que está falando e nem tem preparo para ocupar o cargo que ocupa, ele tentou ligar o movimento ao descontentamento com a administração do PT, querendo com isso desviar atenção dos desmandos ocorridos pelo PSDB na cidade.

Para completar o desastre de sua fala, ele chamou os professores participantes de “pão com mortadela”. O tiro de Vidal saiu pela culatra e, sabiamente, os professores adotaram o pão com mortadela” como nome de seu movimento. João Vidal foi ridicularizado pelas redes sociais.

Alguns professores escreveram que é preferível ser “pão com mortadela” do que ser “presunto apodrecido”, numa clara alusão ao seu compromisso com o prefeito Ortiz Junior, hoje enfrentado denúncias de corrupção e com o mandato por um fio. Preocupado em defender o prefeito, o vereador Vidal na sua inexperiência e inabilidade política jogou um tambor de gasolina na fogueira e saiu com a reputação política cheia de queimaduras.

Na próxima quarta feira, dia 25, ao meio dia tem mais. A turma do pão com mortadela estará novamente na porta da prefeitura. E pelo andar da carruagem não estará sozinha, mas com funcionários de outros setores da prefeitura. Do jeito que a coisa anda, com certeza não está longe o dia em que o cheiro forte de pão com mortadela vai cercar toda a prefeitura e contaminar o seleto gabinete do prefeito Ortiz Junior.