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quarta-feira, 18 de março de 2015

PRECISAMOS DE UM MINISTRO
DA JUSTIÇA, URGENTEMENTE

Silvio Prado, professor

Infelizmente, o Brasil não tem ministro da Justiça, mas apenas um cidadão incapacitado para agir como se deve diante de fatos puramente incitadores de violências. Se a presidente Dilma quiser evitar que o país tome o rumo de uma violência incontrolável e jamais vista em nossas ruas e praças, que faça logo, sem aviso prévio, a dispensa de Jose Eduardo Cardoso.

Que a presidente exerça sua autoridade com responsabilidade e o despache de imediato para qualquer lugar do país e nem agradeça pelo tempo de ociosidade que o mesmo usufruiu enquanto esteve ocupando tão importante cargo.

José Eduardo Cardoso não deve só ser chamado de medroso, incompetente, mas também de irresponsável. Porque é irresponsável a autoridade que não cumpre com o seu dever. E ele não está cumprindo.

Como se não fosse com ele, Cardoso assiste aos vazamentos criminosos da operação Lava Jato e nada faz. Assiste aos delegados da PF do Paraná partidarizar uma investigação, e fica calado. Vê, com uma calma de boi manso, gente da própria PF fazendo ameaças a integridade da presidente e nenhuma atitude toma.

E mais: não se sabe até agora de nenhuma investigação para prender os criadores da cena mais trágica do ano: dois bonecos, simulando um enforcamento, representando Lula e Dilma, dependurados num viaduto qualquer da Grande São Paulo. Num gesto de total subserviência e indignidade para com o importante cargo que ocupa, Cardoso não pronunciou nenhuma palavra ou ação contra o jornalismo criminoso da Rede Globo que, no domingo, forjou uma “cobertura jornalística” que não passou de escandalosa convocação para a mobilização nacional contra um governo constitucionalmente eleito.

Ora, para que serve um ministro da Justiça? Deveria servir, no mínimo, para pegar a Constituição e esfregá-la na cara de gente criminosa, mesmo que essa gente seja poderosa, riquíssima, e tenha até fortunas guardadas ilegalmente no exterior.

Deveria servir para tomar atitudes que, dentro das leis nacionais, façam com que o clima de ódio não seja todo dia produzido em escala industrial pelas redes de comunicação brasileiras. Um ministro da Justiça capaz de justifica o próprio nome e também o cargo que solenemente ocupa, há muito que deveria ter enquadrado na dureza das leis todo idiota que abrisse a boca pedindo a volta do criminoso regime militar.

Infelizmente, o Brasil nesse momento não tem um ministro da Justiça, mas apenas um cidadão, trêmulo e vacilante, cercado certamente por assessores, também trêmulos e vacilantes, dando plantão (em nome de quem?) num confortável gabinete de Brasília.

Do jeito que a coisa anda, vamos logo logo ter linchamento político nas ruas e praças de um país onde, hoje, usar qualquer camiseta vermelha virou sinal de desrespeito para o senso comum da imensa boiada que confunde coisas elementares.

Como o mundo inteiro está vendo, essa boiada, sempre de verde e amarelo, composta unicamente por analfabetos políticos e gente extremamente safada dirigindo seus cascos pesados, aprendeu direitinho a rimar a palavra patriotismo com fascismo. Por tudo isso, já passou da hora de termos um ministro da Justiça de fato!