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segunda-feira, 2 de março de 2015

TRENSALÃO TUCANO:
MAIS UM CRIME OCULTO

Silvio Prado, professor

Se fosse o Brasil ao menos
Um país civilizado
O que se faz em São Paulo
Na atual gestão do Estado
Daria motivos de sobra
Para alguém ser condenado
E depois ganhar cadeia
Após o mandato cassado.

O que acontece por aqui
É uma brutal sacanagem
Em que visíveis senhores
Tipos de rica plumagem
Extrovertidos bandidos
Controlando toda imagem
Fazem em torno de si
Uma completa blindagem.

Enquanto do outro lado
Se o sujeito é esquerdista
Ou possui identidade
Com algum projeto petista
Se vacilar toma pau
Sofrendo penosa revista
Acabando demolido
Pela imprensa golpista

Desse jeito assim vai
Nossa tal democracia
Com o Supremo do Gilmar 
Sacaneando à luz do dia
Estrangulando a lei
Alegrando a burguesia
E gente da classe mérdia
Em sua eterna histeria.

E voltando pra São Paulo
Rico estado da nação 
Há duas décadas entregue
E sempre dando plantão
Aqui imperam tucanos
Que mais parecem pavão
Finalmente atropelados 
Pelo escândalo Trensalão.

No entanto a tal notícia
Por toda a imprensa rareia
A mídia não vendo nada
Enquanto se trapaceia 
Divulgando o que interessa
A quem já fez pé de meia
De tanto roubar o Estado
E jamais ir pra cadeia.

O negócio Trensalão
Parece até coisa da China
Pois tamanho emaranhado
Envolvendo gente fina
Teve nó em pingo d’água
Acertos atrás da cortina
Licitações fraudulentas
Cartel pagando propina.

Contratos superfaturados
E lavagem de dinheiro
Um senhor propinoduto
Com finíssimos quadrilheiros
Em conluio criminoso
Com o sistema financeiro
Roubando solenemente
O que produz o brasileiro.

Hoje trem fora do túnel
O Trensalão descarrilhado 
Expõe ao público vagões
Saindo dos cofres do Estado
Repletos de grana viva
Preços superfaturados
Crimes que prontamente
Precisam ser investigados.

E o fato é tão grave
Pois envolve uma gestão 
Onde senhores do Estado
Apregoando a retidão
Tudo fazem na surdina 
Nunca deixando a impressão
De que gente tão notável
Numa boa passa a mão.

Mas o pouco que vazou
Pela imprensa vendida
Já provoca desconfortos
E “trensloucada” corrida
Todos negando o assalto 
Coisa sempre escondida
Todo dia feito aos cofres
Por essa gente bandida.

Alckmin treme de medo
E Serra treme também
E até o Mario Covas
Que já descansa no além
Se bobear logo dança
Perdendo a moral que tem
Pois certamente mordeu
Algum da máfia do trem.

Até o Fernando Henrique
Um guru desmiolado
Uma notícia de outro dia 
O deixou desconcertado
Com seu nome aparecendo
Entre os homens de Estado
Que morderam um e outro
Do cartel organizado.

Ainda o Robson Marinho
Lá do Tribunal de Contas
Documento da Suíça
Para ele o dedo aponta
Como um dos responsáveis 
Pela bolsa cheia e pronta
Que abastecendo tucanos
Todo brasileiro afronta.

Essa gente mafiosa
Muito bem engravatada
Diferente do bandido 
Que anda de mão armada
Não assalta pela esquina
Mas é muito habilitada
Em roubar como se rouba
Como se não fosse nada.

E dos cofres do Estado
Com seus volumes irreais
Ela morde mil propinas
Junto às multinacionais
Todas formando carteis
Que se afogam em reais
Que depois vão desaguar
Em paraísos fiscais.

E gente tão criminosa
Não sai da coluna social
Tratada com tanto respeito
Bandido acima do mal
Gente que só desgoverna
Sem ter qualquer ideal
Eternos parceiros bondosos
Das gangs do capital.

É um caso muito sério 
A mutreta Trensalão
Porque já faz vinte anos
Que um baita dinheirão 
Deixou de ir para a escola 
Faltou para a habitação 
E se acumulou em contas
De tanto tucano ladrão.

E é importante saber
Como gira essa roleta
Com provas vindas de fora
Comprovando tal mutreta
E expondo abertamente 
Bocas devorando tetas
Porém provas adormecidas 
Por anos numa gaveta

Pois o mesmo judiciário
Que põe na cadeia petista
Quando vê pluma tucana
Se retrai logo despista
Mas se acata o processo
Vem lá um juiz vigarista
Que apelando pra chicana
De imediato pede vistas.

E a cegueira intencional
Das togas do judiciário
Impede que a safadeza
Que não sai no noticiário
jamais ganhe a direção 
Do sistema carcerário
Livrando bandido rico
E só prendendo operário.

Se a gente aprofundar
E ampliar a discussão
Logo se vê que em S. Paulo
Está sobrando ladrão
Todos bem aparentados
Cumprindo a dupla função 
De gerenciar o Estado 
E também passar a mão.

O caso aqui discutido
Segue calmo e abafado
Enquanto seus personagens
Todos ligados ao Estado 
Falam em moralidade
E junto com o empresariado
Prosseguem na roubalheira
Como já foi denunciado.

Falta anjo nessa história
Mas sobram penas tucanas
Voando junto com a Alston 
Mordendo uma bela grana
Além de morder na Siemens
Que deu uma de bacana
Mostrando a sujeira do jogo
Sem deixar de ser sacana.

Foi só pra limpar a barra
Na justiça da Alemanha
Que essa multinacional
Fez um dia a tal façanha
De entregar os tucanos
Revelando as entranhas
Onde gente tão finíssima
Nosso dinheiro abocanha.

E segue assim a história
De um escândalo blindado
A mídia mordendo o seu
E o povo todo abestalhado
Ouvindo que a Petrobras
É um cofre arrombado
Enquanto cofres de São Paulo
São todo dia saqueados.

Portanto vai em frente
A descarada bandalheira
Com gente determinada
Se repetindo em besteira
Inclusive o tal Geraldo
Que nos enche de canseira
Fazendo o milagre absurdo
De secar a Cantareira.

Por isso é tão necessário
Buscar a fundo a verdade
Pondo-a sob a luz do dia
Combatendo a impunidade
De homens que no poder
Aparentam sobriedade
Mas que na vida real
Só cometem improbidade.

O povo deseja a justiça
Agindo com isenção 
Mesmo que a velha mídia
Andando na contramão 
Esquecendo o bom senso
Fugindo de sua função 
Esconde o mais que pode
O escândalo Trensalão.

Se Covas mora no além
Não pode ser inquerido
E cobrado pelos erros 
De seu governo bandido
Alckmin porém esta vivo
E Serra, escroto assumido,
Precisam virar logo réus
Pelos crimes cometidos.

O que não pode é ficar
Tanto crime e falcatrua
Escondidos e impunes
Enquanto o povo na rua
Desinformado de tudo
A cabeça ainda na Lua
Acaba elegendo tranqueira
Que contra ele atua.

Como é triste esse pais
Onde um crime ordinário
Mete o pobre na cadeia
Impondo a ele um calvário
Enquanto ricos bandidos
Amigos do judiciário
São tratados como santos
Por gente do noticiário.

Não é tristeza é tragédia
O caso aqui em questão
Pois o tucano roubando
É um competente ladrão
Não tem cadeia pra ele
Pois criou-se a tradição
Que tucano quando rouba
É só pro bem da nação.

Mas um dia essa história
O Brasil ainda incendeia
E quem sabe um milagre
Faça a coisa menos feia
Julgando ladrões tucanos
Confiscando seu pé de meia
Pondo essa corja maldita
Toda ela na cadeia.