Páginas

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A DIREITA ESTÁ BOTANDO
O RABO ENTRE AS PERNAS

Silvio Prado, professor

A direita voltou hoje (domingo - 12/04) para casa com o rabo entre as pernas. Segundo o Datafolha, menos de cem mil pessoas participaram do ato na Avenida Paulista, em São Paulo.

Mesmo que todo o aparato da Rede Globo e outras emissoras, como a Jovem Pan, tenham jogado pesado na divulgação do evento, o fracasso foi redundante.

100 mil pessoas, na avenida mais importante do Brasil, como resultado de uma articulação midiática (criminosa) não causou sequer arranhões no governo Dilma, no PT e seus aliados de esquerda.

Para ter uma ideia do tamanho do fracasso, demonstrado unicamente pelo que ocorreu na Paulista hoje, basta lembrar que na semana anterior, 2 de abril, uma quinta-feira, a APEOESP, sindicado dos professores estaduais paulistas, com uma greve boicotada pela grande midia (a mesma que apoiou os protestos de hoje) conseguiu reunir na mesma Avenida Paulista 60 mil professores, realizando depois uma monumental passeata que paralisou o centro de São Paulo.

Uma semana depois, dia 10, a mesma quantidade de professores cercou o Palácio Bandeirantes e depois, numa verdadeira maratona, terminou seu protesto diante da sede da Rede Globo, próxima da marginal do rio Pinheiros.

As duas ações monumentais dos professores paulistas se deram sob o mais rigoroso boicote dos grandes veículos de comunicação, onde a tônica foi simplesmente repetir os argumentos do governo Alckmin, descaracterizando a greve ou negando sua existência e, completando o receituário da mentira, afirmando que os professores já receberam 45% de aumento salarial.

Com os atos esvaziados de hoje (12/04), o que se viu pelo país inteiro foi uma sequência de palavras de ordem recheadas de ódio e preconceito. Não faltou quem pedisse a volta da ditadura militar , ou seja, da truculência, censura, das prisões arbitrárias, torturas, mortos e desaparecidos. Tudo muito de acordo com o que propôs um cidadão de origem japonesa, intitulado líder do movimento pela deposição de Dilma: nada de sangrar o PT, é preciso dar um tiro na cabeça desse partido.

Em Belo Horizonte, um fotógrafo fisicamente parecido com Lula, foi espancado por manifestantes. No Rio de Janeiro,um cidadão vestindo uma camiseta vermelha, foi agredido. O ódio, como componente essencial da falta de inteligência e ausência de atributos intelectuais elevados, fez com que, pela segunda vez, uma empresária saísse nua entre os manifestantes. Pelas redes sociais, já apareceram fotos de um apetitoso corpo sem cabeça desfilando pela Paulista.

O decréscimo de participantes nos protestos de hoje pode ser o resultado das pressões e denúncias que nos últimos dias tem caído sobre os meios de comunicação, principalmente sobre emissoras hegemônicas, como a Rede Globo. O descrédito crescente das grandes redes de comunicação tende a crescer e arrastar para baixo o número daqueles que cegamente seguem suas opiniões.

Por outro lado, fica claro que usar recursos apenas midiáticos, somados com os recursos múltiplos das redes sociais, não dão conta de colocar milhões de pessoas pelas ruas de todo pais, pois nem sempre a boiada mostra disposição para seguir o som horroroso do berrante que a convoca.

Os fatos de hoje exigem que se pense no papel dos sindicatos e das centrais sindicais na luta que se trava no país hoje. Por mais desvalorizados e burocratizados que esses organismos dos trabalhadores estejam, ainda são eles, em conjunto com movimentos de trabalhadores do campo e da cidade, que demonstram capacidade de furar o bloqueio da mídia e encher ruas com milhares de militantes dispostos a defender o mínimo de democracia que temos.

E agora, precisamente a partir da lei criminosa que propõe aprofundar as terceirizações no Brasil, sindicatos, centrais sindicais, partidos de esquerda e todo e qualquer agrupamento de trabalhadores, precisam, com urgência, buscar uma unidade de luta para impedir a aprovação desse projeto no Senado.

Caso ali ocorra a aprovação, o passo seguinte será, a partir das ruas, reforçar a decisão da presidente Dilma em vetar integralmente o projeto. Se o PT superar seu marasmo e a presidente Dilma tiver sabedoria para explicar, em rede nacional, o porque do veto a essa arma de "destruição em massa", a pauta política imposta pela direita vai direto para o brejo e a questão do impeachment acabará definitivamente enfraquecida.