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quinta-feira, 30 de abril de 2015

BETO RICHA, UM CRIMINOSO

Silvio Prado, professor

Mais uma vez o criminoso Beto Bicha colocou seus brucutus fardados para massacrar professores, em Curitiba, capital do Paraná. Pelas imagens que vi, ficou a impressão de que o Paraná teve hoje o seu dia de Pinheirinho.

Policiais agridem professores em greve no Paraná (Foto:Paulo Lisboa/Brazil/PhotoPress/Portal G1)

Para quem não sabe, Pinheirinho foi um bairro de São Jose dos Campos construído sobre um imenso terreno cujo dono, Naji Nahas, devia para a prefeitura de São José alguns milhões em impostos atrasados. Ao invés de dar posse aos moradores do bairro, a justiça (justiça?), curvada diante de interesses poderosos do setor imobiliário, ressuscitou o caso. Portanto, na madrugada do dia 22 de janeiro de 2012, um domingo, dois mil policiais iniciaram uma cruenta desocupação que resultou em pavorosas cenas que correram o mundo inteiro. Foi uma tragédia arquitetada nos palácios da justiça (justiça?), no Palácio dos Bandeirantes, nos ricos escritórios do setor imobiliário e, depois, complementada pelas armas e fardas da PM paulista.

Nem é preciso dizer que naquele momento a prefeitura de São José dos Campos estava nas mãos do PSDB e o seu prefeito, hoje deputado federal, se chamava Eduardo Cury. No governo do Estado estava o senhor Geraldo Alckmin, colocando gentilmente sua polícia para mais um trabalhinho especial em defesa da especulação imobiliária e do bandido que se dizia dono da imensa área onde gente pobre e sem recursos construiu suas rústicas casas.

Manifestante é ferido com bala de borracha pela PM do Paraná
durante greve de professores (Foto: Guilherme Gomes/PRPRESS)
Hoje, portanto, o Paraná teve o seu dia de Pinheirinho, também patrocinado por um tucano, Beto Richa que, repetindo Alckmin, fez sua polícia comportar-se como um bando de arruaceiros, jagunços fardados, capazes de obedecer qualquer ordem estúpida e burra dada pelo seu comando desmiolado.

Conforme vários órgãos de imprensa, mais de duzentos professores saíram feridos, alguns com certa gravidade. As imagens postadas nas redes sociais são terríveis e inadmissíveis num país que se diz democrático. Gente com machucaduras provocadas por tiros de balas de borracha, cortes pelo rosto, braços, pernas. Não faltaram mordidas de cães. Em uma fotografia aparece, completamente apavorado, um cadeirante tentando escapar da fúria assassina da jagunçada de Beto Richa. Fortíssimos jatos de água quase sufocaram professores. Há noticias de que helicópteros da polícia paranaense foram usados contra os manifestantes. De seu interior, foram jogadas bombas de gás lacrimogêneo sobre os professores.

Enfim, um palco de horrores repleto de imagens traçadas pela dor e pelo sangue de quem ocupou pacificamente ruas e praças em defesa de direitos trabalhistas duramente conquistados. Um evento digno de um governo do PSDB, partido especialista em colocar policiais mal pagos, e sob intenso assédio moral, para massacrar manifestações populares. Enquanto policiais massacravam professores, deputados da base governista tucana no interior da Assembleia Legislativa demoliam leis que até ontem garantiam um mínimo de dignidade aos funcionários públicos paranaenses.

O projeto de Beto Richa, na base de intensa pancadaria de seus policiais domesticados para a violência contra indefesos, acabou aprovado. A verdade é que o PSDB fez correr muito sangue hoje nas imediações da Assembleia Legislativa do Paraná. E manchas de sangue, como se sabe, não se apagam com facilidade da memória dos que lutam por justiça.