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quarta-feira, 29 de abril de 2015

CHEGA DE APANHAR CALADO!

Silvio Prado, professor

Aviso que não bebi, pois não bebo. Não "cheirei" nada, porque não tenho esse vício. Aviso que estou lúcido, porém puto da vida. Como manter a calma e a lucidez vendo as imagens vindas do Paraná, exatamente da manifestação dos professores confrontados e agredidos covardemente pela tropa de choque de um governador (ou bandido?) chamado Beto Richa.

Sinceramente, ao ver uma professora ajoelhada, como pedindo misericórdia a um policial, surgiu a ideia de que nós, professores, de qualquer estado ou cidade, precisamos superar esse discurso de que, como educadores, não devemos nos defender de forma violenta contra milícias militarizadas ou mesmo decretos que nos destroem como profissionais ou seres humanos. Há muito que desacredito nos discursos pela paz, da maneira como são colocados.

Os governos sucateiam o serviço publico, declaram nossa morte profissional e coletiva e, num conceito equivocado de paz e cidadania, ainda vamos às ruas apenas para dizer que não gostamos do que eles fizeram. E quando vamos reclamar nas ruas, colocam um punhado de brutamontes animalizados para atirar balas de borracha, despejar spray de pimenta e atirar bombas de gás lacrimogêneo contra trabalhadores desarmados.

No vídeo vindo do Paraná, o professor que conduzia a manifestação chegou a dizer que a polícia cumpria com sua obrigação. Discordo. Reprimir trabalhadores que lutam por seus direitos não é obrigação da polícia. A policia tem é que reprimir manifestação de criminosos, gente perigosa, bando armado que coloca em risco a segurança da população. Fora isso, qualquer atitude violenta contra manifestantes que defendem direitos legítimos, é coisa de bando, cangaceiro, jagunço da pior espécie, quadrilheiro fardado e remunerado pelo Estado.

Polícia reprime com violência professores no Paraná
Por isso, puto da vida, mas lúcido, entendo que já pertencem ao passado aquelas manifestações em que muita gente inocente se armava de rosas e flores para caracterizar a força pacifica de seu ato. Há muito que o movimento sindical e popular tinha que ter mudado sua postura diante do agressivo aparato das policias brasileiras, que se armam para sua guerra diária contra o povo e, depois, ainda dizem que estavam só cumprindo ordens.

Já não basta registrar imagens que vão depois causar indignação. Precisamos de outras armas que equilibrem o confronto das ruas, que façam as forças repressivas do Estado perceberem que, do outro lado, tem um inimigo (inimigo mesmo, pois o povo não pode ver policia militarizada a não ser como inimigo) tão armado e forte quanto elas.

Se a arma do outro lado que luta por justiça é um punhado de cabos de vassoura, tacos de bilhar ou barras de ferro, não importa. Importa é que a capacidade de organização dos trabalhadores dê um passo à frente e entenda que discursos não cortam o trajeto criminoso das balas de borracha e nem amenizam os efeitos dos atos de governos criminosos.

Não cheiro e nem bebo, como afirmei no começo. Estou lúcido, e bem lúcido. Por isso, digo: não dá mais para enfrentar jagunços fardados de governos criminosos com as mãos vazias de qualquer meio de defesa realmente consistente, mesmo que sejam pedras arrancadas de alguma calçada ou do asfalto das ruas. Chega de apanhar calado!