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domingo, 19 de abril de 2015

GOVERNADOR, PROFISSÃO MENTIRA

Silvio Prado, professor

Em se tratando de educação pública, dificilmente o governador Geraldo Alckmin se habilita a falar algo que possa ser levado a sério. Qualquer cidadão de bom senso, conhecendo um mínimo de sua obra (destrutiva) na área educacional se avermelha e fica perguntando para que serve um governador. Apenas para torcer os fatos, criar enganos e tirar do foco os verdadeiros problemas da população?

Geraldo Alckmin é mestre nos truques midiáticos e no exercício diário do engano. Devido a essas especializações, em todo 12 de outubro, feriado em que se comemora o dia de Nossa Senhora Aparecida, ele é visto na Basílica Nacional, em Aparecida do Norte, rosto e gestos falsamente santificados, na fila da comunhão. Depois de receber o sacramento, ele retorna para seu lugar, cabeça baixa, se ajoelha e por lá fica, olhos fechados, como se estivesse flutuando pela força da santidade. Fotógrafos e cinegrafistas disputam a cena que pode acabar depois virando peça publicitária em suas investidas eleitorais.

Como todo católico antes da comunhão precisa se ajoelhar diante de um confessor e despejar o estoque de pecados que carrega, Alckmin deve escolher os pecados mais facilmente perdoáveis e os coloca no delicado ouvido do padre confessor. Se todas as mazelas que cometeu no exercício do poder fossem colocadas no confessionário, o padre, consciente da incapacidade de conferir tão grande perdão, abandonaria a batina ou sairia em busca de um analista.

Enfim, diante de alma tão santificada, o confessor deve lhe dar como penitência apenas meio Pai Nosso e um quarto de qualquer Ave Maria. Pronto. As pequeníssimas máculas do grão tucano ficam milagrosamente apagadas. Então, com a alma leve, consciência em dia, corpo purificado, abençoado por Deus e São José Maria Escrivá (fundador do Opus Deis), ele pode novamente liberar suas tropas de choque para destroçar Pinheirinhos e matar sem piedade quem resistir ou questionar as delicadas abordagens de sua polícia.

Pode também fechar mais de 3 mil salas de aulas, ou vender vagas do SUS para grupos da saúde privada. Pode, sempre numa boa, continuar desconversando sobre os milhões de reais desviados para bolsos de amigos envolvidos no escândalo Trensalão. Ou enchendo o peito para falar sobre a Escola de Tempo Integral, a maior fraude pedagógica inventada nos últimos vinte anos em São Paulo.