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segunda-feira, 20 de abril de 2015

PROLETÁRIOS BRASILEIROS, UNI-VOS!

Velhinho de Taubaté*

Sou proletário. Tenho quatro filhos. Meu pai foi mais proletário que eu. Teve dez rebentos.

O termo latino "proles" (filhos) foi amplamente utilizado por Karl Max para definir a classe social que sobrevivia exclusivamente à custa da venda da própria força de trabalho ao capital, embora o termo tenha sido cunhado ainda na Roma antes de Cristo.

Vendendo sua força de trabalho, os proletários perdiam a própria identidade e se submetiam aos verdadeiros donos da produção - os capitalistas, os donos do mercado de consumo, os donos da vontade dos proletários, que se revoltaram e promoveram grandes movimentos sociais nos séculos XVI e XVII.

O proletário do século XXI é diferente do proletário do século XX apenas no número de filhos (os casais de hoje cuidam para ter uma "prole" de apenas um ou dois filhos). Somos proletários porque vivemos à custa da venda do nosso trabalho - na indústria, no comércio, na educação, no campo, nos bancos...

Bancos!

Aqui estão incrustados os capitalistas, os donos da produção, que especulam com os pequenos depósitos ou pequenos empréstimos ao proletariado (via cartão de crédito), de onde sugam a economia popular cobrando juros altíssimos sem nada oferecer em troca, a não ser mais exploração da classe trabalhadora.

O capitalista não investe na produção. O capitalista investe na especulação.

A lua de classes existe, mas o médico proletário (que trabalha em hospital público ou privado), o advogado proletário (que vive de seu árduo trabalho nos fóruns), o engenheiro proletário (prestador de serviço ou empregado de alguma empresa) não perceberam o nível de manipulação a que estão submetidos e saem às ruas protestando contra a corrupção, como se ele tivesse nascido, no Brasil, em 2003..

Somos todos proletários! Médicos, advogados, engenheiros, professores, bancários, comerciários, economistas, lavradores, motoristas, jornalistas, mecânico, etc.

Você é proletário mesmo tendo dois ou três imóveis para alugar, uma chácara para os fins de semana com a família, mas não pode parar de trabalhar, sob o risco de pôr tudo a perder.

Você é proletário classe média, dono dos melhores salários do mercado de trabalho, mas é um trabalhador como o operário da indústria, o caixa do banco que recebe suas contas no fim do mês ou a graciosa vendedora daquela loja que lhe vendeu uma TV de 60 polegadas, sem falar no simpático vendedor de carros, que lhe empurrou um bólido a ser pago em sessenta prestações.

O proletariado baixa renda ainda é maioria no Brasil e não foi devidamente politizada pelos governos trabalhistas de Lula e Dilma, que hoje pagam o preço da despolitização da base da pirâmide social.

O proletariado nacional, que sai às ruas defendendo o capitalismo, não percebe que está fazendo mal a si mesmo ao apoiar a selvageria dos golpistas, com dinheiro escondido na Suíça, sonegadores de impostos que, com a força do capital, "compram" pequenos proletários, igualmente criminosos, instalados no serviço público.

Os proletários brasileiros querem um país sem corruptos ou corruptores, mas também sem golpistas dispostos a entregar nossas terras e riquezas naturais (como o petróleo) à sanha dos especuladores internacionais.

Proletários brasileiros, uni-vos!

*Observador da cena política nacional