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sábado, 23 de maio de 2015

60 MILHÕES DE DÓLARES PARA ISSO?

Antonio Mário Ortiz, ex-prefeito

(Extraído do Facebook)

Anteontem, meu telefone tocou. Era o amigo Luiz Carlos Machado, um dos maiores estudiosos de transito que eu conheço. Pedia emprestado os meus ouvidos para falar do plano de mobilidade urbana proposto pela Prefeitura. Fui até a sua casa e analisamos alguns pontos juntos.

Hoje, o Luiz Carlos postou na Internet 7 matérias questionando o trabalho feito pela Prefeitura, que já envolveu 4 milhões de reais para estudos técnicos (com sistema alemão) e acompanhamento de implantação de mudanças, várias etapas de alteração de mãos de direção, nova sinalização, estragos no transporte coletivo e assim por diante. Não se sabe quanto tudo isso acresceu aos 4 milhões gastos inicialmente, mas uma coisa é certa: os fornecedores de semáforos e radares devem ter Taubaté como cliente preferencial, com tanto que já se gastou e ainda o que se pretende gastar. Fica até estranho!

As análises do Luiz Carlos são simples e claras. Acrescento o meu pitaco. Se as alterações viárias vinham sendo implantadas com recursos do próprio orçamento municipal, seria mesmo difícil dar conta de mudanças profundas no trânsito, embora existissem muitas possibilidades óbvias que foram olvidadas sabe-se lá em função de quais interesses. Mas vá lá.

No momento em que o Prefeito pede autorização à Câmara para levantar 180 milhões de reais para obras, a coisa muda. Não se esqueça, meu amigo, que para cada real do empréstimo a ser aplicado pela Prefeitura, esta terá que colocar uma contrapartida. Ou seja, falamos em investimentos na ordem de 360 milhões de reais. Aí, dá para ser ousado.

O que propõe o plano? Algumas obras de alargamento, aproveitamento de obras que a Nova Dutra fará sem custo para o Município visando cumprir a sua obrigação de fazer a Dutra transitar melhor no trecho que corta nossa cidade e… mais semáforos, mais mudanças de mãos e nada de soluções ousadas, como fazer cruzamentos em desnível, eliminando semáforos nas avenidas de grande movimento, abrir um anel de circulação rápida ao centro, e assim por diante.

Quem quiser ver algumas das críticas do Luiz Carlos Machado, é fácil: está no facebook dele, que reproduzi na minha linha do tempo. Vale a pena a leitura.

Até aqui, venho analisando tudo com o máximo de isenção, procurando compreender lógicas utilizadas e torcendo para que dê certo. Agora, depois destes “estudos” de mobilidade urbana apresentados, passo a pensar que está passando da hora do Prefeito acordar, andar pela cidade e trocar essa equipe que pensa em mobilidade urbana com a mentalidade do atraso.