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domingo, 31 de maio de 2015

"BURRÃO" DO MEU CORAÇÃO!

Não sou torcedor de arquibancada há muitos anos. Não ouço o noticiário esportivo  no rádio nem acompanho o Burro da Central pelos jornais, a não ser notícias esparsas que os internautas postam nas redes sociais.

A vitória obtida pelo Taubaté, na manhã deste domingo chuvoso, no enlameado gramado do "Joaquinzão", por 4 a 0 (que lhe valeu o título da série A3 do campeonato paulista), me pôs a recordar o quanto o Taubaté está inserido em minha vida de torcedor.

Poucos são os que ainda se lembram que o apelido "Burro da Central" foi dado pelo jornalista Thomaz Mazzoni, da antiga A Gazeta Esportiva, após uma vitória do Taubaté sobre o Comercial de Ribeirão Preto.

Tendo escalado um jogador irregularmente, o Taubaté perdeu os pontos daquela partida.

O epíteto cravado pelo jornalista paulistano foi assumido definitivamente pela fervorosa torcida taubateana no final dos anos 1970.

Os primeiros gritos de "burrrooooo!", ainda que tímidos, ecoaram em 1978, quando o Taubaté chegou pertinho da Divisão Especial (atual Série A1).

O tão almejado título viria no ano seguinte, numa campanha irrepreensível e uma vitória épica sobre o arquirrival São José (Águia do Vale), no Parque Antártica: 2 a 1.

Lá se vão 36 anos. Não dá para esquecer os campeões Piorra, Antonio Carlos, Banha, Botu, Buzuca, Cleto, Betinho, Paulão e tantos outros.

Ainda sob a emoção dos 4 a 0 sobre o Votuporanguense e o título de campeão conquistado nesta manhã, revertendo um placar desfavorável de 3 a 0.

Depois dos 60, as recordações são o nosso oxigênio. As lembranças voltam com mais força, principalmente aquelas que estavam acondicionadas em algum arquivo esquecido em nossa memória.

Os 4 a 0 de hoje (31/05) me trouxeram á lembrança o primeiro jogo que vi, no campo  do Bosque: 2 a 0 para o Palmeiras.

Lembro-me do goleiro Waldir de Morais, do centroavante Servilio, do ponta direita Julinho, dos taubateanos Henrique Schalch (goleiro), Zé Américo, Celso, Ivan. Creio que era 1961, ano em que o Taubaté foi rebaixado da Divisão Especial.

Nos anos seguintes o Taubaté, que ainda via o apelido Burro da Central como pejorativo, montou boas equipes.

O ataque taubateano inesquecível para mim é da metade dos anos 1960: Almir, Mazolinha, Mário Celso (Marta Rocha), Márcio e Machadinho. Às vezes no lugar do Marta jogava o Diango.

Pelo Taubaté passou o técnico Aymoré Moreira, que saiu daqui para ser campeão do mundo na Copa do Chile, em 1962. Pé de Valsa, um craque na zaga, nos tempos em que o futebol era romântico. Estava longe do mercantilismo que hoje grassa pelos gramados brasileiros, mesmo depois do fatídico 7 a 1, mas esta é outra história.

Por aqui passaram também Pampoline (Botafogo do Rio), Dequinha e Jordan ex-Flamengo) e tantos outros que a memória insiste em manter escondidos de mim.

O Burro da Central tem uma torcida fiel, que jamais abandonou o time, mesmo quando ele foi rebaixado, no papel, pela FPF no final nos anos 1980, para a terceira divisão (Série A3).

O ex-presidente Reinaldo Carneiro Bastos, que havia assumido a vice-presidência da federação, nomeado por Eduardo José Farah, pouco fez para manter o Burro da Central na Série A2, para one foram os times que frequentavam a Divisão intermediária, como Taubaté.

Nesse século, o Burro da Central conquista seu segundo título da Série A3. O outro, se a memória não me trai, foi contra o Sertaõzinho, em 2001 ou 2002.

A vitória/conquista do Burro da Central, que não comemorei com a mesma efusividade de antes, serviu para a minha memória submergir e trazer boas recordações.

NR: Aproveito a conquista do Burro da Central para abraçar meu amigo Adilson Barbosa, com quem trabalhei muitos anos na Rádio Difusora em memoráveis jornadas esportivas acompanhando o Burro da Central conra o Palmeiras de Luís Pereira, o Corinthians de Sócrates, o Santos de Juari, o São Paulo de Dario Pereira e tantos outros. Adilson será, justamente, homenageado pela Câmara Municipal de Taubaté. Belo presente o Burro lhe deu, professor...