Páginas

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A ABOLIÇÃO DA ABOLIÇÃO

Silvio Prado, professor

O problema é que os negros não querem mais ficar no seu antigo lugar. Que coisa absurda! Será que já não bastou a abolição, com a princesa se obrigando a assinatura de uma lei que lhes conferiu o direito de ir e vir, não ser amarrado em nenhum tronco e nem levar chicotadas muitas vezes até morrer? Negrada insubmissa, que hoje continua com a mesma mania de ser o que nunca foi. Até quando?

Incrível, mas pra essa gente a favela nunca está como devia. Querem agora casa de alvenaria, vielas bem cuidadas, posto de saúde e escola, segurança. Assim não dá! Desse jeito o país nunca que vai dar certo porque, como se sabe, nem tudo é pra todo mundo. Por exemplo: aeroporto nunca pode ser um negócio popular, com qualquer um entrando com a naturalidade do cara que vai para o botequim da esquina tomar uma antes de ir pra casa ver novela ou futebol. Dá até medo que aconteça com o aeroporto o que aconteceu com o rádio e a televisão, que foram coisas que no início pouquíssima gente possuía e, depois, consumidos em massa se vulgarizaram e perderam a graça.

É preciso dar um jeito de conter essa gente, reis da batucada, que anda gingando, fala alto e tem costumes avessos aos bons costumes. Pior, bem pior, esse povo anda já competindo de igual para igual onde antes o espaço sempre esteve reservado aos que tinham o mérito de ocupá-lo. Quando toco nesse assunto, de imediato dizem que sou racista.

Racista? Logo eu que tenho um amigo que tem um amigo que é amigo de um cara cujos pais são amigos de uma família que adotou uma criança negra que hoje, contrariando todas as expectativas, até conseguiu se formar dentista! Onde moro, não tenho sequer um vizinho negro, mas quantos clientes meus são negros, mulatos, pardos... Outro dia, assisti uma missa inteira ao lado de uma senhora negra e , na hora do abraço da paz, apertei sua mão com muita educação e respeito. Foi tudo muito rápido, mas foi com espírito cristão e respeito. Então, sou racista?

No entanto, dizem que os tempos são outros. Sim, são outros mesmo. Mas, pelo menos para mim, as pessoas são as mesmas. Portanto, que cada um fique no seu quadrado e cada macaco no seu galho porque senão a árvore quebra e a confusão habitual fica ainda mais confusa.

Tempo difícil esse onde à rebeldia do negro se acrescenta o desrespeito que uma outra gentalha, os gays, vem impondo ao país. Eu sabia que não ia dar certo a beijação dessa gente nas novelas e que, depois, escapando das telas, tomaria as ruas. Eu falei isso um dia e, pasmem, aconteceu. Agora eles estão ai, aos milhares, se pregando em cruz e criando em público coisas nojentas e até casando em cartório na presença de juiz, convidados e fotógrafos.

Confesso que nunca me senti tão insultado. O que me alivia é que ultimamente ando entregue por inteiro aos afazeres da luta pela redução da maioridade penal, coisa que enche meu tempo, preenche a cabeça e me faz sentir útil. Porém, essa onda crescente dos costumes gays tem me apavorado. Um atrevimento.

Ontem, depois que vi as fotos da gigantesca passeata em São Paulo, quase bati com as dez. Na hora, pensei: preciso fazer alguma coisa, urgente. Mas a razão logo se impôs e vi que não tenho tempo para mais nada, principalmente depois que assumi o compromisso de participar do comitê que no mês passado criou um movimento nacional pela abolição da Lei Áurea!