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quinta-feira, 11 de junho de 2015

“MENOS ESCOLA, MAIS PRISÕES”

Silvio Prado, professor

Um idiota que atende pelo nome de Rodrigo Constantino, usando espaço reservado exclusivamente aos idiotas, ou seja, a revista Veja, escreveu e publicou na semana passada um artigo pedindo “Menos escolas e mais prisões”. Parece que a Veja , nos seus últimos dias, pretende encerrar sua história se cobrindo definitivamente com a lama do atraso e da ignorância, sempre em sintonia com o que o país tem de pior.

Na verdade, a direita brasileira, não só através desse vergonhoso pasquim afronta cada vez mais o mínimo de inteligência que o Brasil ainda tem. Porém, enquanto ela agora pede a abertura de prisões e o fechamento de escolas, o governador Geraldo Alckmin, há muito tempo, vem colocando em prática o pedido de Rodrigo Constantino.

No presente ano, conforme denúncias da APEOESP, Alckmin se antecipou ao estúpido blogueiro da Veja e fechou mais de 3 mil salas de aula e desempregou milhares de professores. Como se sabe, o governador segue fielmente uma política que desqualifica a escola e incentiva a repressão policial. Portanto, os fatos provam a identidade do texto do blogueiro com a prática do governador. Novidade? Nenhuma.

Enquanto fecha salas de aulas e vai inclusive extinguindo o ensino noturno, o governador cria em todo o Estado estímulos diretos para o crescimento da violência. Para completar sua obra, ele exige mudanças no ECA e negocia com o governo federal medidas mais rígidas para crimes cometidos por adolescentes. Ele sabe muito bem o resultado de sua política educacional para o futuro.

Maior nome da direita para disputar a presidência da República em 2018, Alckmin nunca repetiu o famoso bordão malufiano de colocar sempre a “ROTA na rua”, mas, na prática, ele faz o mesmo e vive louvando sua polícia pela capacidade que a mesma possui de prender e encher as cadeias paulistas. Polícia prendendo indiscriminadamente e cadeias lotadas são argumentos que geram carretas de votos nos setores mais atrasados da população. Também, caso diminua a maioridade penal, as cadeias ficarão mais lotadas e provocarão grande gozo no governador, mesmo que um aluno custe ao Estado bem menos que qualquer presidiário.

O texto do blogueiro da Veja causou escândalo, mas recebeu mais de treze mil curtidas, o que demonstra que há um setor da sociedade comungando com a idéia de que cadeia é solução, absurdamente invertendo o consenso mundial sobre a importância da escola na vida de qualquer sociedade, inclusive da nossa, marcada por uma desigualdade social geradora de traumas sociais irreparáveis, além de grande responsável pela criminalidade em ascensão.

Em lugar nenhum do mundo, mesmo nos países mais atrasados e bárbaros, alguém teve a petulância de priorizar a prisão e colocar a escola num segundo plano. Certamente pronunciamentos desse tipo estimulam Geraldo Alckmin a tratar o ensino público como algo que não deve frequentar sua lista de prioridades. Talvez seja por isso que diante de uma greve que já vai para os noventa dias, o governador se mostra indiferente aos reclamos de milhares de professores, enquanto pela grande mídia segue despejando mentiras sobre a situação do professor e da educação paulista.

O colunista da Veja provocou escândalo com sua proposta absurda. No entanto, “menos escolas e mais prisões” para Alckmin não se trata de proposta ou palpite de colunista, mas de uma ação prática e real que pode ser constatada pela maneira como ele frequentemente destrata a educação e os professores.