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quarta-feira, 24 de junho de 2015

SERRA, INIMIGO DA PETROBRAS
E DO PRÉ-SAL

Silvio Prado, professor

O gosto maior do PSDB é colocar o Brasil num balcão de vendas. Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e toda a tropa tucana não sabem fazer outra coisa a não ser oferecer nossas riquezas às aves de rapina do capital internacional. No momento, o entreguismo tucano põe seu foco na poderosa Petrobras. Enquanto a mídia e a operação Lava Jato procuram desconstruir no imaginário da população a importância dessa empresa, o senador José Serra apresentou em Brasília um projeto desqualificador da mesma. Serra, descarado, propõe “reduzir o papel da Petrobras no Pré-sal, retirando dela a condição de operadora única e o direito de uma participação mínina de 30% do petróleo extraído”. Com isso, pretende que o Pré-sal seja escancarado às petroleiras, principalmente as norte-americanas. No entanto, o tucano teve que se defrontar com o senador paranaense Roberto Requião, que demoliu o projeto e seu autor.

No projeto, Serra diz que a Petrobras talvez seja incapaz de abastecer o mercado interno de petróleo em 2020 se continuar como operadora única do Pré-sal. Requião, respondendo, chama o tucano de desatualizado e mostra que o mercado brasileiro, hoje, já está pequeno para a petroleira, que possui excedente exportador. Em 2020, devido aos investimentos atuais, o senador paranaense afirma que a Petrobras estará produzindo 5,2 milhões de barris ao dia, fazendo do Brasil um dos maiores exportadores do mundo.

Em todo o projeto, o tucano não aponta nenhum ponto positivo da empresa. Para ele, a Petrobras está no fundo do poço e resta apenas uma alternativa: entregar o Pré-sal às petroleiras do mundo. No entanto, diante das argumentações de Requião, Serra parece um boxeador amador enfrentando um campeão mundial de pesos pesados. Elegante, mas impiedoso, o paranaense põe o tucano nas cordas em todos os rounds e depois, como faz todo profissional, o nocauteia com gosto.

Mesmo que os chineses tenham colocado recentemente R$ 22 bilhões na Petrobras e que o Pré-sal traga estimativas de possuir entre 70 a 300 bilhões de barris de petróleo - avaliados entre 7 e 30 trilhões de dólares - o tucano não se vergonha em falar que teme que a empresa enfrente dificuldades para conseguir financiamento externo. Depois, toca na questão da queda do preço do barril de petróleo, como se essa queda fosse durar eternamente. Mesmo com a queda de 100 para 62 dólares, Requião lhe mostra que os custos de extração de um barril no Pré-sal não vão além de 9 dólares, ou seja, uma atividade amplamente lucrativa.

Como se vê, a desonestidade tucana não é pequena. Seu autor chega a dizer que a exclusividade que a Petrobras tem com o Pré-sal pode ser um fardo a ser aliviado pela participação das petroleiras estrangeiras em sua exploração. Já o relator do projeto, senador Ricardo Ferraço, do PMDB, em pleno acordo com Serra, afirma que a área do Pré-sal é grande demais e que possui pelo menos 100 mil km que nem foram ainda licitados, motivo, segundo ele, para que essa riqueza espetacular seja repassada para mãos estrangeiras.

A dupla tucana finge desconhecer a importância desse “tesouro estratégico” para o futuro do país. Considerando que o Pré-sal comporta em torno de 300 bilhões de barris de petróleo, e considerando que o valor de cada barril poderá retornar aos 100 dólares, calcula-se, portanto, que o Brasil tem pelo menos 30 trilhões de dólares vindo na direção de seu caixa, ou seja, dez vezes o valor do nosso PIB, fato que desperta ganância nos “donos do petróleo” mundial e seus aliados no Brasil, entre eles os tucanos.

Mas parece que nenhum argumento, racional e defensor dos interesses nacionais, interessa para o bando tucano. O que se pretende é desnacionalizar, entregar de vez, agora através das facilidades que os ataques midiáticos sustentados pelas “denúncias” do Lava Jato estimulam. Nessas investidas, ignora-se a história da Petrobras, da luta pela sua criação, do empenho diário em construir e produzir tecnologia nacional na área petrolífera, dar ao país auto-suficiência na setor de combustíveis e, numa postura de sabedoria política que os tucanos dispensam, contar com essa empresa para construir um desenvolvimento soberano.

Enfim, o PSDB segue no firme propósito de desmontar o país e entregá-lo em fatias ao mercadores internacionais e, depois, claro, nunca dispensando o montante que os bandidos internacionais guardam para seus aliados, coisa já constatada em todo o processo de privatização encabeçado por Fernando Henrique Cardoso em seus dois governos.

NR: Leia aqui matéria em que Serra é vaiado por defender a entrega do pré-sal à sanha de petroleiras estrangeiras