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quinta-feira, 23 de julho de 2015

CRIMINALIZAÇÃO DA LUTA CONTRA O
AUMENTO DA PASSAGEM EM TAUBATÉ

Silvio Prado, professor

Ontem (22/07), terminada a reunião extremamente positiva e produtiva que discutiu a questão do aumento das passagens de ônibus em Taubaté, reunião que depois se tornou constrangedora sob a intervenção desastrosa da policia militar, tomei conhecimento de alguns fatos muito preocupantes.

Relatos feito pelo André, jornalista da TV Cidade e participante da reunião, me dizia que o estudante Pablo foi abordado por policiais militares no ponto de ônibus da Praça Dom Epaminondas. Após a abordagem, temeroso, o estudante achou melhor apagar a filmagem que fez da desastrosa intervenção policial na praça da Rodoviária Velha. Portanto, a essa altura perdeu-se uma grande prova do constrangimento sofrido ontem por pelo menos treze cidadãos taubateanos.

Já o professor Fabrício Perez, também participante do evento, me relatou que o seu carro foi seguido por um veiculo da Polícia Militar até a rotatória que, pela estrada velha de Pindamonhangaba, serve de entrada para o bairro da Gurilândia.

Já o estudante Danilo informou que, ao descer de seu ônibus, no Parque Três Marias, deu de cara com uma viatura policial que, bem devagarinho, passou por ele e o deixou inquieto e preocupado.

O professor Fernando Borges, relatou que no momento imediato em que saímos da praça, o bloqueio de trânsito que os policiais fizeram nas imediações onde ocorreu a reunião foi desfeito, o que significa que aquela operação de trânsito serviu apenas como uma espécie de cortina de fumaça visando esconder as verdadeiras intenções policiais.

Enfim, o que vimos ontem à noite em Taubaté não passa daquilo que no Brasil inteiro se chama de criminalização dos movimentos sociais. Quer dizer, reunir pessoas em público para discutir problemas da sociedade virou crime e fato merecedor da ação policial, o que é uma violação flagrante de vários direitos constitucionais da população.

No caso de ontem, os policiais, alegando que agiam com educação e cumprindo com seu dever, se acharam no direito de saber quem era quem e o que estava cada um fazendo ali. Quem resistisse e apelasse para direitos que contrariassem as intenções da polícia, seria preso e conduzido até a uma delegacia, sofrendo então, as consequências de um inquérito danoso e desgastante e, quem sabe, temporariamente jogado num CDP aguardaria,posteriormente, um longo processo e posterior condenação.

Como o evento foi divulgado pelas redes sociais, e a Policia Militar monitora as redes sociais, o seu comando sabia muito bem que as pessoas que ali estavam não tinham nenhum laço com qualquer tipo de ação ou entidade criminosa. Mas, segundo a lógica da polícia, tudo precisa estar sob seu controle e todo cidadão é suspeito e criminoso, principalmente se ele for pobre ou descontente com a ordem injusta que impera no pais. Por isso, ela lá esteve para cumprir o seu triste papel de instituição anticidadã e braço armado dos interesses de ricos e poderosos, como fez exemplarmente no caso Pinheirinho e faz diariamente pelas quebradas e periferias onde se amontoam pobres e indefesos de todo tipo.

Não dá para entender ou aceitar como mera coincidência que três participantes do evento tenham sido, após o encerramento do mesmo, seguidos por viaturas policiais, ou abordados diretamente por seus ocupantes. O caso é muito serio e a experiência há muito nos ensinou a não acreditar em Papai Noel, duendes e outras fantasias, e muito menos em coincidências desse tipo.

NOTA DA REDAÇÃO: O relato que faz o professor Silvio Prado preocupa os cidadãos de bem, trabalhadores, que lutam, com dificuldade, por melhores condições de vida e uma sociedade mais justa. De quem partiu a ordem para monitorar os manifestantes contra o reajuste da tarifa de ônibus urbano nesta urbe quase quatrocentona. Com tanta gente desinformada pedindo a volta dos militares ao poder, os de Taubaté estão se adiantando.