Páginas

segunda-feira, 13 de julho de 2015

EM DEFESA DO ECA

Silvio Prado, professor

Certamente o ECA é o instrumento mais importante que os lutadores sociais brasileiros criaram em defesa da criança e do adolescente. No entanto, setores conservadores da sociedade querem precarizá-lo. Querem, por exemplo, modificá-lo para garantir a redução da maioridade penal e abrir cadeias e presídios para o jovem brasileiro. O bombardeio midiático em torno dessa proposta não é pequeno. Ele se dá permanentemente. Ao mesmo tempo, a mídia “esquece” ou “ignora” as condições de vida em que vivem crianças e adolescentes, muitos jogados como detritos em ruas e praças.

No país do sétimo PIB do planeta, riquezas socialmente produzidas privilegiam poucos e fortalecem grupos econômicos já poderosíssimos. Aqui a riqueza é altamente concentrada, rico quase não paga imposto, multinacionais anualmente remetem para suas matrizes bilhões de reais. Por isso, não sobra mesmo dinheiro para investir na criança e na juventude.

Só a poderosa Rede Globo já chegou a ter 776 autuações da Receita Federal. Usineiros tem dividas perdoadas e o mercado financeiro vive fazendo festas com lucros recordes. O Banco Itaú, conforme a imprensa, deve ao estado cerca de 18 bilhões de reais! Portanto, o dinheiro sonegado ou desviado dos cofres do Estado não permite investimentos maciços na criança e na juventude. Assim, não se garante escola de qualidade ou saúde, nem moradia decente, lazer, cultura, segurança, primeiro emprego. Apesar de tudo, a ofensiva contra direitos conquistados se avoluma.

Diante de tal realidade, o presente texto propõe, em forma de literatura popular, discutir os problemas da criança e do adolescente brasileiros. Ao mesmo tempo, ajudar na defesa do ECA, instrumento importantíssimo que só não produz mais avanços porque esbarra nos interesses de uma elite que precisa da pobreza e da submissão da população para manter privilégios.

O texto acima é parte da introdução que escrevi sobre meu último trabalho em forma de cordel e que estou lançando e distribuindo, primeiramente entre amigos da cidade e, depois, vou sair por aí vendendo (apenas R$ 5,00, o que vai me deixar riquíssimo, inclusive podendo comprar minha sonhada Ferrari ou um helicóptero igual ao do Perrela!) e aproveitando para debater um dos temas do momento, a questão da redução da maioridade penal.

Abaixo, reproduzo alguns trechos do trabalho. Os interessados, podem fazer contato comigo por esta página do face ou pelo cel (12) 981699731. Desde já agradeço pelas sete pessoas que certamente comprarão o trabalho e pelas três que realmente irão lê-lo. Abaixo, alguns momentos do texto.

Em defesa do ECA

A criança tem direito
De proteção integral
Recebendo da família
E do Estado nacional
Com maior prioridade
O que é fundamental.

Não só Estado e família
Trazem em si a obrigação
De proteger a criança
Das malhas da exclusão
Mas também a sociedade
Tem papel nessa função

Se crescerem pelas ruas
Sob eterno desrespeito
Criança e adolescente
Não sabendo o que é direito
Dificilmente na vida
Agirão como sujeito.

Nessa terra de banqueiros
Com lucro quase irreal
É impossível admitir
E entender como normal
Que a criança e o adolescente
Sejam tratados tão mal.

Três milhões de crianças
Se dispersam todo dia
No trabalho da lavoura
E até mesmo em olaria
Em imensos canaviais
E também carvoaria.

Tem criança no trabalho
Fora do banco da escola
Tantas na rua explorada
Para alguém pedindo esmola
E criança até no trafico
Não podendo jogar bola.

Em esquinas e semáforos 
Saem pedindo dinheiro
E pelas ruas e barres
Ficam lá o tempo inteiro
Até que o tráfico acolha
Mais um menor brasileiro.