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sábado, 4 de julho de 2015

O GOLPE, A MÍDIA E A RESISTÊNCIA

Participei nesta sexta-feira (3) de um debate promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo.

O salão é pequeno. Cabia no máximo umas 60 pessoas. Estava lotado e muita gente ficou em pé para ouvir os palestrantes.

Emiliano José observa palestra de Hildegard Angel
Palmério Doria, jornalista e escritor, autor de “O Príncipe da Privataria”, “Honoráveis Bandidos” e “Golpe de Estado” (em parceria com Mylton Severiano, o “Miltainho“, falecido o ano passado).

Hildegard Angel, jornalista, irmã de Stuart Angel, morto pela ditadura militar, cujo corpo jamais foi resgatado pela família. Filha de Zuzu Angel, igualmente morta pela ditadura militar.

Hilde, como se autodenomina, deu um depoimento emocionado e emocionante sobre sua experiência pessoal com o golpe e a ditadura militar.

Criticou a mídia, que alimenta o golpe desde o suicídio de Getúlio Vargas (1954), passando pela derrubada de Jango (João Goulart) em 1961, o golpe militar de 1964 e os dias atuais, com um forte cheiro de golpe no ar.

A jornalista carioca, que se deslocou do Rio de Janeiro para atender ao convite do presidente do “Barão”, Altamiro Borges, lembrou a saga de Samuel Wainer, que criou o jornal Última Hora para defender Getúlio dos ataques da direita nacional..

Os jornais preparavam o clima golpista, tal qual se faz agora, com Dilma Rousseff e o PT e as ameaças de prisões de Zé Dirceu, primeiro, e de Lula, depois.

Wainer foi submetido a uma CPI no Congresso Nacional (na época o Rio era a capital federal), criada especialmente para evitar que ele contraísse empréstimo no Banco do Brasil. Os demais jornais podiam. Menos Samuel Wainer.

O esquema atual, lembraram os palestrantes, guarda todas as semelhanças com os golpes vividos pelo país nos últimos 65 anos.

A mídia (O Globo, Estadão, Folha) que deu aval ao golpe de 64 e até emprestou suas próprias viaturas para os torturadores caçarem “comunistas”, está cada vez mais assanhada com a possibilidade de um novo golpe.

Já não consegue esconder o golpe que perpetram desde a posse de Lula, em 2003, e a possibilidade de o ex-presidente voltar ao poder, que deixou em 2010 com mais de 85% de aprovação aos seus dois governos.

A mídia não dorme!

Nós, que vivemos no interior, temos poucos contatos com os verdadeiros pensadores e não sabemos avaliar a dimensão do que está em andamento. Nossas "análises" são baseadas no que os jornais publicam, a televisão exibe e mais nada.

É preciso conversar com essa gente. Ouvi-los para entender o que se passa nos porões da Casa Grande.

O veneno inoculado diuturnamente pela mídia começa a fazer efeitos devastadores no seio da população.

Palmério Dória e Sérgio Mamberti, antes da palestra
Estavam lá os atores Sérgio Mamberti e Paulo César Pereio, figuras carismáticas e engajadas na luta das esquerdas. 

Os jornalistas Audálio Dantas (autor de “Vlado”) Luís Nassif, Laura Capriglione e Bernardo Kucinski também apareceram por lá

Valeu a pena ter ido. Espero ter aprendido um pouco mais. Para mim, foi um curso de extensão jornalística.

A mídia não tem votos para vencer eleição, mas distorce os fatos em desfavor do PT, esconde as mazelas do PSDB e seu aliado como o DEM. Acaba por fazer a cabeça do eleitor.

Paulo César Pereio, ator, diretor e militante político
Este é o primeiro risco. O segundo é fazer o eleitor aceitar tacitamente o golpe, como em 1964.

O golpe midiático quase se fez com aquela capa criminosa da Veja às vésperas da eleição presidencial do ano passado:

Quem não se recorda do título calhorda: “Eles sabiam de tudo”, sobre uma fotomontagem de Lula e Dilma.

Acesse este link para ter uma boa noção do que foi a palestra de Hildegard Angel, na noite de sexta-feira no Barão de Itararé.