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quinta-feira, 16 de julho de 2015

O PSOL SABE O QUE QUER

Silvio Prado, professor

O PSOL não é apenas uma dissidência histórica do Partido dos Trabalhadores. É muito mais do que isso. É uma opção política, real e concreta, para aqueles trabalhadores brasileiros que visualizam um horizonte social onde a questão do socialismo seja colocada e as ampliações das liberdades democráticas sejam conquistadas pelas lutas diárias do conjunto da população.

O que orienta o PSOL é a transformação radical da sociedade, sempre pela via democrática e impulsionada pelas lutas especificas e gerais dos trabalhadores brasileiros. Portanto, nada de novo na rotina de um partido que, nos seus dez anos de existência, poderia ter crescido muito mais se optasse pelo lugar comum e pela via tradicional e desgastada da política nacional.

Não fosse o rigor em cumprir determinações originárias de suas bases e das instâncias que corroboram o que democraticamente decidem seus filiados, teria o PSOL hoje, não só em Brasília, mas em muitos estados e cidades, bancadas realmente mais amplas e fortes politicamente.

Porém, a questão da quantidade não seduz o partido e nem sua militância. Ganhar o poder a qualquer custo e usando qualquer meio, mesmo que sustentado pelas leis do país, sempre provoca efeitos colaterais perversos. Quanto a isso, a experiência dos quase 15 anos do PT no exercício do poder federal oferecem exemplos de sobra.

Por isso, o PSOL se mostra cuidadoso diante de todo processo eleitoral e recusa, por exemplo, práticas do chamado paraquedismo político. No processo eleitoral, suas bases repudiam indicações de candidaturas que não tragam um lastro de lutas sociais e operárias. Candidatos de última hora e com propostas avessas às defendidas pelo partido são automaticamente rechaçados, mesmo que prometam enxurradas de votos e vitória eleitoral garantida.

De que valeu, por exemplo, a vitória do cabo Daciolo, em 2014, no Rio de Janeiro, mas recentemente expulso do partido por contrariar normas elementares da agremiação? Tal postura, para os acostumados aos vícios incorrigíveis da política brasileira, pode lembrar rigidez, autoritarismo ou coisas parecidas. Mas não se trata disso. Trata-se apenas de ser coerente com o que se decidiu e anteriormente foi discutido em centenas ou milhares de reuniões realizadas em todo país e, depois, confirmadas em congressos comprovadamente democráticos.

Portanto, críticas feitas, ou as atitudes que alguns diretórios tomam quando surgem questões como as supostas candidaturas do engenheiro Chico Oiring e da advogada Gladiwa Ribeiro para as eleições do ano que vem, em Taubaté, não saem da cabeça de seus dirigentes municipais, mas são ditadas por normas criadas e votadas sob o consenso de encontros e congressos partidários. Se o PSOL quer mesmo acrescentar algo de novo no cenário político nacional, ele não pode incluir em sua prática política métodos que personalizam militantes e os colocam acima dos interesses partidários.

Na matéria veiculada no jornal O Vale, no sábado, dia 11, o engenheiro Chico Oiring e advogada Gladiwa Ribeiro são apresentados como a dupla que, em nome do PSOL, na próxima disputa eleitoral taubateana, vai criar a cada segundo uma nova saia justa para o futuro candidato do PSDB, Ortiz Junior, de quem os dois supostos candidatos do PSOL foram, no passado, aliados e companheiros de campanha. Quem leu a matéria ficou com a impressão de que a única finalidade de Chico e Gladiwa é a de criar seguidos constrangimentos para o prefeito já condenado, tática que o desgastaria muito mais e, inevitavelmente, alargaria e facilitaria o caminho da vitória para um candidato melhor posicionado, como Pollyana Gama, por exemplo.

No entanto, o PSOL, enquanto partido que propõe uma alternativa socialista para o Brasil, quer ir muito além de encostar Ortiz Junior ou qualquer outro candidato na parede e desgastá-los. O PSOL quer mostrar e provar que é uma opção real de poder e transformação para a cidade de Taubaté e toda a sociedade. Quer discutir a cidade sem desvinculá-la das questões nacionais. Quer sair vitorioso e fortalecido do processo eleitoral e se transformar num polo aglutinador da luta dos trabalhadores da cidade e região. Por isso, se recusa a papéis secundários ou mesmo de garoto de recados de qualquer partido que se considera mais capacitado a assumir a prefeitura local.

Todo partido se organiza, elabora estratégias e táticas para alcançar o poder. Com o PSOL não pode ser diferente. Mas o poder que desejamos precisa ter a marca da independência de classe e ser coletivamente construído nos confrontos diários com uma ordem injusta que precisa ser transformada conforme os interesses dos trabalhadores. O PSOL quer e luta para ser uma opção real de poder em Taubaté, mas sempre de acordo com a vontade expressa de militantes que produzem lutas e enfrentamentos necessários à ampliação da democracia brasileira e da construção do socialismo.

Por essas vias, bem claras e distintas, é que deverão trilhar e surgir os candidatos do PSOL em 2016, sejam eles prefeito, vice-prefeito e vereadores. Conforme as normas internas do partido, isso vale para Taubaté ou qualquer outra cidade brasileira.