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domingo, 19 de julho de 2015

PESSIMISMO PARA QUÊ?

Velhinho de Taubaté

Caro senhor Irani, caríssimos leitores desse blog...

O senhor sabe, mas não custa repetir: como a minha conterrânea, a "Velhinha de Taubaté", sou um otimista quase incorrigível.

Quero dizer, caro senhor, que não esmorecerei diante de tanto pessimismo que leio diariamente nos jornais e assisto pela televisão com o futuro do nosso Brasil.
Meus companheiros de D. Epaminondas estão divididos. Conversamos todos os dias, naquele cantinho em frente à Catedral, sobre o que acabamos de ler nos jornais e vimos na noite anterior no Jornal Nacional, que é uma espécie de bíblia para nós. Estou querendo dizer que a leitura dos jornais no dia seguinte é apenas para confirmar o que ficamos sabendo na noite anterior.

Aliás, hoje de manhã o assunto não foi outro: a delação daquele empresário que disse ao juiz que o Eduardo Cunha (presidente da Câmara Federal, grifo meu) pegou cinco milhões de dólares de propina e agora critica a operação Lava Jato da Polícia Federal. Confesso que ficamos divididos e confusos. Uns acham que a tal Lava Jato foi feita para pegar petistas. Outros creem que ela vai pegar todo mundo.

Costuma-se dizer que os ratos são os primeiros a abandonar o navio quando ele começa a afundar. Pelo que meu colegas aposentados estão falando, parece que é o navio do governo federal que está adernando. Confesso ao senhor que  fiquei  "deverasmente" preocupado, como diria o saudoso Odorico Paraguassu.  Quer dize então que os ratos estão abandonando a nau da Dilma? Estava a pensar nisso enquanto voltava de ônibus para casa. Confesso que uma ponta de pessimismo me abalou emocionalmente. Será verdade tudo isso que estão falando? Estão querendo destruir o Brasil?

Nada como um dia após o outro, diz a sabedoria popular. Não é que as notícias que vi na noite de sexta-feira, que me preocuparam tanto, esvaiam o desejo golpista de quem trata o Brasil como uma republiqueta qualquer, pronta a assimilar uma virada de mesa como a de 64? Só depois de ficar sabendo das denúncias do empresário ao Eduardo Cunha é que tomei consciência do que o jornalista Paulo Henrique Amorim dizia nas entrelinhas de seus textos sobre a tornozeleira que enfeitaria as pernas do presidente da Câmara Federal..

Voltei a escrever ao senhor neste domingo porque meu otimismo voltou.  Ontem ainda estava amudado com tantas notícias ruins. Hoje estou convencido que não haverá golpe. O PMDB é pragmático e já anunciou que não apoia a aventura de Cunha em sua intenção de implodir o governo. Quer abandonar o governo "xará"? Problema seu!. O PMDB não tem nome para vencer uma eleição presidencial, mas é "dono" de seis ministério e de milhares de empregos no governo federal. O PMDB não vai trocar o certo pelo duvidoso.

Dilma, que já suportou tortura física nos porões da ditadura, saberá como suportar a tortura psicológica que lhe impõe, ou impunha, o presidente da Câmara Federal. Os adesistas, inclusive os de Taubaté, que falam em desgaste do governo federal para justificar o abandono do navio vão se dar mal.

Ainda não atingimos a fundo do poço, mas Dilma dele emergirá mais forte, com fôlego renovado, quando o povo do meu Brasil entender que a palavra corrupção é um quimera criada pelos reacionários para inculpar o PT, como já fizeram no passado com os governos trabalhistas de Getúlio e Jango, quando não havia internet e as informações vinham apenas pelos jornais e pelas rádios.

Ainda bem que minhas faculdades mentais me permitem acompanhar o desenrolar dos acontecimentos e escrever este correio eletrônico para o senhor após uma boa lida nos blogues que acredito: Conversa Afiada, Jornal GGN, Diário do Centro do Mundo, Tijolaço, Blog do Miro, Blog da Cidadania e Forum, entre outros "blogues sujos"... rsrsrs.

Um Congresso desmoralizado, um TCU desmoralizado, um STF partidarizado, que moral tem para propor a cassação de quem foi eleita pela maioria do povo brasileiros. Quando terminar o recesso parlamentar, o baixo clero do Congresso Nacional entenderá que os prejudicados serão eles mesmos. Um golpe pode significar o fechamento do parlamento e, aí, babau!

Muito obrigado pela atenção.

PS: A Velhinha de Taubaté deve estar mais otimista que eu, seu admirador.