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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

CPMF NÃO É “MAIS UM IMPOSTO”.
É UM IMPOSTO NECESSÁRIO

Velhinho de Taubaté

Prezado senhor Irani, preclaros leitores e leitoras desse magnífico blog. Como o senhor pode ver, escrevo-lhe novamente acreditando que minhas observações serão publicadas. Tenho certeza que o senhor não me decepcionará, pois o assunto que quero abordar é de suma importância. É o seguinte: li em vossa página no Facebook que o senhor é a favor da volta do imposto do cheque. Eu também sou.

Na minha opinião, dono de uma modesta renda mensal que me cabe por aposentadoria (”meu patrão é o INSS”, como o senhor costuma dizer), gostaria que o imposto do cheque voltasse a vigorar. O senhor já imaginou quanta falcatrua, desvios de verbas públicas, corrupção, superfaturamento de obras, formação de “caixa dois” para bancar campanhas políticas, pagamento de propina, sonegação de imposto de renda, remessa de divisas para paraísos fiscais e bancos suíços seriam evitados se houvesse cobrança de CPMF, que batizamos de imposto do cheque?

Gostaria, meu amigo Irani Lima e caríssimos leitores, de fazer uma rápida digressão: a única coisa boa que o Fernando Henrique fez quando presidiu o Brasil foi criar a CPMF. O resto do governo dele foi um desastre. Tem a compra (comprovada) de deputados para garantir a emenda da reeleição que lhe garantiu um segundo mandato consecutivo. Tem a privataria tucana comandada pelo ínclito José Serra, que agora quer entregar o pré-sal para a Chevron. A única coisa boa que sobrou do governo Fernando Henrique foi a CPMF, criada pelo médico Adib Jatene para financiar a saúde do povo brasileiro.

O senhor pode notar que nenhum empresário, grande ou pequeno, reclamou do imposto do cheque na época do Fernando Henrique.. Eu mesmo nunca reclamei. Não tenho dinheiro sobrando e nem percebia o valor que era descontado nas minhas parcas movimentações bancárias. Quase sempre sou contrário aos Estados Unidos no campo político, mas concordo plenamente com eles quando dizem que “seguindo o dinheiro” se descobrem as grandes fraudes, as grandes corrupções, os grandes desvios.

O legal da CPMF é que todos pagam. Não há discriminação. Paga o banqueiro, paga o industrial, paga o advogado, para o engenheiro, paga o médico, paga o operário, paga o professor, paga o comerciante, paga o senador, paga o deputado, paga o prefeito, paga o vereador, paga o escriturário, paga a empregada doméstica, paga o pipoqueiro. Até traficante paga, porque traficante também tem dinheiro em banco e se mexer nele, paga o imposto do cheque.

Este assunto me chamou a atenção pela publicação que o senhor mesmo fez em defesa da volta da CPMF no Facebook. Gostaria que o senhor reproduzisse seu texto, simples e objetivo, que eu copiei e colei nesta missiva. Ficaria muito agradecido se o senhor aproveitasse meu esforço... rs rs: (VOLTA DA CPMF? EU APOIO! É a única maneira de rastrear de onde sai, para onde vai e qual o caminho percorrido pelo dinheiro de quem tem muito dinheiro (até na Suíça e em paraísos fiscais). Com a CPMF, o Leão fica com a boca aberta e todos os dentes à mostra. Isso assusta quem tem dinheiro e sonega imposto de renda)

O senhor pode não acreditar, mas este minúsculo texto me pôs a pensar: Existiria Lava Jato se houvesse o imposto do cheque? Aquele juiz de Curitiba já não teria descoberto tudo se pudesse rastrear o dinheiro, isto é “seguir o dinheiro” como ensinam os americanos? Ficaria fácil descobrir como o dinheiro caiu na conta do doleiro e daquele ex-diretor corrupto da Petrobras. De que conta saiu o dinheiro que abasteceu os dois? Das empreiteiras? Das empresas que tinham negócios com a Petrobras? Das contas dos dois corruptos? Que caminho percorreu o dinheiro até chegar aos partidos políticos e a seus candidatos?

Claro que não poderia deixar nossa Taubaté de lado. Imaginou se a CPMF estivesse em vigor em 2012 o que seria do prefeito Ortiz Junior? Como ele explicaria a dinheirama que rolou em sua campanha. A Polícia Federal pouparia tempo e dinheiro rastreando os depósitos feitos na conta de campanha do tucano e na própria conta bancária de Ortiz Junior, bem como as suas movimentações financeiras e os pagamentos efetuados, tudo por computador, com um simples mandato judicial. Não precisaria nem gastar gasolina para fazer a investigação financeira do prefeito, que está com seus bens bloqueados, mas continua investindo alto em sua defesa para se garantir no cargo até o fim de seu mandato.

Para mim, senhores, ao contrário do que dizem representantes da Confederação Nacional da Indústria, a CPMF não “é mais um imposto”. É um imposto justo, porque pagamos de acordo com nossas movimentações bancárias. É um imposto necessário para pegar corruptos e corruptores, sonegadores e impostores em geral. Se depender de mim, senhor Irani, a CPMF volta já. Ah! Para quem quiser, aqui está o link da matéria que li no Brasil 247: http://www.brasil247.com/pt/247/economia/194488/Governo-vai-propor-volta-da-CPMF-para-2016.htm