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domingo, 23 de agosto de 2015

ENTRE O DISCUSO E A PRÁTICA

Velhinho de Taubaté

Caro senhor Irani, caros leitores e leitoras.

Escrevo-lhe, primeiro, para cumprimentá-lo por sua ida a São Paulo, na marcha de apoio à nossa presidenta e proteção ao regime democrático. Concordo que há de se respeitar o resultado das urnas em 2012. Foi uma eleição duríssima, é bem verdade, mas foi uma vitória que me encantou, principalmente por ver o povo do meu Brasil reconhecer que os avanços sociais se devem aos governos do ex-presidente Lula, em quem votarei em 2018, se for novamente candidato a presidente, e de Dilma Rousseff.

O segundo motivo para esta carta é a matéria de hoje (23) do repórter Julio Codazzi, publicada n’O Vale, sobre um possível reajuste das passagens de ônibus já em janeiro do ano que vem. Confesso que não entendi direito. Se a passagem subiu de R$ 2,70 para R$ 3,30 este mês, como ela será reajustada em menos de seis meses? Sou idoso, não pago ônibus, mas me parece um absurdo o que estão querendo fazer. Se minhas contas estiverem certas, o reajuste para o passageiro, este mês, foi de 23% aproximadamente, bem acima da inflação de agosto do ano passado a agosto deste ano, que não deve ter ultrapassado a casa dos 7%.

Se houver interesse dos seus leitores, este é o link para a matéria d'O Vale (http://www.digitalflip.com.br/ovale/flip/Edicoes/01690%3D23-08-2015/09.PDF). No meu entender, quando aparece no jornal que o reajuste pedido pela ABC chegava aos R$ 4,40 e foi concedido “só” R$ 0,60, ou 23% como escrevi lá em cima, significa que já está tudo acordado entre as partes e a tarifa em Taubaté poderá ser superior a R$ 4,00 em janeiro. Só isso significa 67% de reajuste, se minhas contas estão certas.

Para quem pretende saber como é calculado o valor da tarifa, vai descobrir que a culpa é dos trabalhadores (motoristas, cobradores, fiscais, mecânicos, escriturários), esses ingratos, que insistem em querer um salário digno, o que a empresa lhes nega. É fácil jogar a culpa no trabalhador e abusar da paciência dos usuários, cobrando tarifas exorbitante e oferecendo, em contrapartida, um péssimo serviço de transporte público, com intercalação entre um ônibus e outros que chega a meia hora, dependendo do bairro. Quem recebeu, de mão beijada, reajuste de 67%? Taubaté pode ser a primeira.

Encerro com uma pergunta:

Não foi o vereador Joffre Neto, que o senhor chama jocosamente de Catão da Vila São Geraldo, que afirmou pomposamente há alguns meses, como é de seu feitio, que a Prefeitura implantaria a “tarifa zero” no centro da cidade? Fico espantado com a desfaçatez do vereador em questão. Joffre Neto prometeu tarifa zero e agora, tardiamente, critica o reajuste concedido há poucos dias à ABC e prepara um discurso para justificar o próximo reajuste na tarifa de ônibus em Taubaté. Entre o discurso e a prática, a distância é longa. Não contem com o vereador para combater o próximo assalto ao bolso do usuário de transporte público coletivo.

Muito obrigado pela acolhida a este desabafo.