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domingo, 2 de agosto de 2015

HOJE O ÓDIO, LOGO LOGO O FASCISMO

Silvio Prado, professor

Em Taubaté, no início do ano, um desequilibrado propôs na sua página do facebook formar um comando para eliminar os possíveis sucessores da presidente Dilma, caso ela sofresse impeachment.

A proposta inicial do sujeito era eliminar Michel Temer, sucessor imediato de Dilma. Depois de Michel, seria eliminado o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O negócio dele era limpar os principais cargos da república de gente envolvida com corrupção.

Como ele se achou incapaz de fazer tal trabalho sozinho, então saiu convocando interessados em formar um grupo capaz de realizar tão cívica tarefa. Ele disse mais ou menos assim: "sozinho não dou conta, preciso de quem me ajude". Tudo isso em sua pagina no Facebook. A ele nada nada aconteceu.

O autor de tão escandaloso ( e criminoso apelo) não é nenhum bobo, desinformado, foi liderança de bairro na cidade e hoje é um pequeno empresário bem sucedido. Pai de família zeloso, cristão e defensor dos bons costumes. Sempre foi um cidadão trabalhador, mesmo sendo conservador nos costumes e na visão política.

Porém, esse seu lado fanático e de exterminador de autoridades só se tornou visível nessa onda impressionante de ódio crescente, estimulado pelos meios de comunicação e escancarado diariamente nas redes sociais. O exemplo desse anônimo cidadão é apenas um no meio de milhares de outros que estão pululando pela Internet e, quem sabe, em muitas casas da classe média e condomínios de luxo.

Na quinta-feira à noite, quando a bomba atirada contra o Instituto Lula fez o estrago que fez, mais do que estrago ela serviu como termômetro real para se medir a desacerbada temperatura política que toma conta do país.

Só não vê quem não quer - e isso não é de agora - que as autoridades judiciárias brasileiras deram moleza demais para o bando de energúmenos que nos últimos tempos apregoaram e apregoam abertamente a volta da ditadura e, incitando as forças armadas brasileiras, propunham (e propõem)o fim de um regime fundamentado em princípios democráticos.

Quando, em março, numa manifestação da direita apareceram dois bonecos dependurados, simulando o enforcamento de Dilma e Lula num viaduto da grande São Paulo, ficou mais do que claro o que pretendem os golpistas que se escondem atrás do discurso contra a corrupção.

Eles não querem só o retrocesso, mas também a eliminação física dos principais cabeças de um governo que em doze anos mudou a face do país. Depois dos principais cabeças, é possível que a depuração proposta pela direita atinja todos os setores da esquerda, inclusive aqueles que torcem pelo impeachment de Lula, como os dirigentes e militantes do PSTU e setores do Psol.

Portanto, o pequeno empresário e desequilibrado militante da direita, que propôs via facebook formar um bando armado para exterminar três figuras da república não está sozinho em sua loucura. Ele integra um bando cada vez maior, e cada vez mais imbecilizado pela falta de formação política e pelo noticiário que conduz ao ódio e, agora, depois do ódio verbal parte para ações de eliminação física.

Portanto, o perigo está nas ruas e em todo lugar. Nunca se cultuou tanto o ódio, fenômeno visto com naturalidade na pregação de inúmeros orgãos de imprensa e seus colunistas, ou na fala de certos religiosos, diretamente dos altares onde se recolhe o dizimo e prega-se o reino dos céus pela ótica da teologia da prosperidade.

Sendo assim, cresce nessa hora a responsabilidade dos movimentos sociais organizados que precisam, urgentemente, tomar ruas e praças e afirmar com todas as letras que repudiam o golpe e qualquer tentativa de violência contra as leis do país. Os responsáveis pelas bombas no instituto Lula precisam, imediatamente ser localizados, preso e imediatamente colocados sob o peso da lei. O que precisamos é garantir o aprofundamento d democracia e não retornar ao mundo da barbárie que se viu nos 20 anos de ditadura militar.