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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O BRASIL QUE AMA O BRASIL

Silvio Prado, professor

É claro que foi uma tremenda festa brasileira com mais de 70 mil militantes políticos dos mais variados partidos de esquerda, além de contar com os militantes dos aguerridos agrupamentos de lutadores sem-terra e sem-teto e tantos outros movimentos sociais.

Nesta quinta-feira, 20 de agosto, pelo imenso Largo da Batata, em Pinheiros, pôde ser visto tudo o que o Brasil possui de esperançoso e bonito. Sobraram homens e mulheres negras por todo canto, bem diferente do que se viu no domingo na Paulista e em outras avenidas importantes do país.

Nesta quinta, pode-se dizer que a diversidade étnica e cultural brasileira saiu à rua. Pode-se dizer também que a lucidez e a sanidade mental estiveram ao lado dessa diversidade. Ninguém parecia transpirar ódio. Nenhum cartaz pedia a morte de fulano ou sicrano. A língua portuguesa foi devidamente respeitada e os discursos, todos eles, estiveram comprometidos com o aprofundamento da democracia.

Ao invés de bundas de fora, o que se viu foi gente mostrando cabeças capacitadas pensando alternativas para o país. Cartazes, faixas, banners, todos explicitando claramente o que pretendiam os manifestantes. Diferente de domingo passado, os 70 mil manifestantes do Largo da Batata provaram na prática que as aulas de História que tiveram nas escolas onde estudaram não foram em vão. Todos repudiaram a volta a um passado truculento. No fundo, foi uma vitória da nossa precária escola pública contra a escola privada elitizada, por onde passaram e ainda passam os que pregam golpes e ditaduras.

Com coragem e respeito, foram lembrados e homenageados os 18 assassinados em Barueri e Osasco, neste momento em que a grande imprensa, em conluio com Geraldo Alckmin, se esforça para esconder o assunto ou tirá-lo da responsabilidade da polícia militar, infelizmente, abrigo de justiceiros impiedosos pagos pelo dinheiro público.

Foi uma festa mesmo, com palavras de ordens oportunas e inteligentes e muito batuque e balanço deliciosos de baterias improvisadas com material reciclável. Na verdade, não dá para imaginar o Brasil sem o som delicioso e contagiante de seus tambores, coisas que não pertencem aos condomínios fechados, apartados da cultura popular e incapacitados de criar qualquer símbolo cultural que dê ao Brasil alguma singularidade notável.

O Brasil múltiplo, diverso e complexo esteve no Largo da Batata e em centenas de ruas e praças do país, sem nenhum pingo de ódio, mas com a determinação de sobra em cobrar a taxação das grandes fortunas, mudança nos rumos da economia e punição para o atual grande bandido da política brasileira, Eduardo Cunha. E, acima de tudo, dizer não ao golpe comandado pelo PSDB e também dizer não aos planos macabros de outro bandido, José Serra, que pretende entregar o Pré-Sal para o controle das petroleiras internacionais. Com muita energia, o povo igualmente gritou não contra os ajustes criminosos de  Joaquim Levi, cria de banqueiros que virou peça chave no governo Dilma.

Uma coisa é sempre certa e ficou mais uma vez provada hoje: a elite treme e se borra inteirinha quando o Brasil que ama o Brasil põe a cara nas ruas e praças dizendo para o que veio.