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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

TAUBATÉ: UMA PANELA DE COXINHAS

Política é como nuvem. Você olha e ela esta de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. Sábia frase do ex-governador, ex-senador, ex-golpista e ex-banqueiro mineiro Magalhães Pinto, mais atual que nunca para explicar estes dias sombrios.

Há uma semana (7/8) participei com o jornalista Barbosa Filho de uma manifestação cívica em apoio ao ex-presidente Lula, cujo instituto fora atacado por extremistas de direita por uma bomba caseira, que não causou grande prejuízo material à sede do instituto, mas acenava para o estrago que poderia causar à nossa democracia se o golpe institucional prosperasse.

No mesmo dia, os jornais do país publicaram manifesto de pagina inteira elaborado pelas duas maiores associações de empresários do país, a Fiesp e a Firjan, condenando a pretensão golpista de Aécio Neves, sem citar seu nome, e os rumos políticos sombrios que se urdiam nos porões do Congresso Nacional sob o patrocínio de Eduardo Cunha.

Não poderíamos supor, eu, Barbosa e a companheira Leila, que as nuvens negras se dissipariam em apenas uma semana. Acreditávamos, diante da nota dos empresários, que haveria um arrefecimento na sanha golpista de Eduardo Cunha e Aécio Neves, que não têm projeto de Brasil, mas tão somente um projeto pessoal de poder pelo poder.

As nuvens “diziam” que trovoadas sacudiriam o Palácio do Planalto e ventos fortes formariam um ciclone que varreria Dilma do governo, com a possível ascensão da direita retrógrada e entreguista ao poder, como em 64. O banqueiro Luís Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, tratou de colocar o dedo na ferida dias antes, ao afirmar que o resultados das urnas deveria ser respeitados.

Trabuco entendeu que uma crise política interferiria na política econômica e subtrairia dos investimentos externos o dinheiro que o país precisa para continuar crescendo em infraestrutura e programas sociais, com o consequente enfraquecimento da classe média e uma diminuição violenta no consumo, com reflexos na produção industrial, desemprego em massa e recessão.

Todos perdem, mas os empresários perdem mais. Este foi o recado de Trabuco, da Fiesp e da Firjan. O jornal O Globo entendeu e fez um editorial em que criticava Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal. O senador Renan Calheiros assimilou a advertência do empresariado e tratou de mobilizar o Senado Federal para defender o governo Dilma.

A pretensão golpista de Cunha, que se apresentava como a formação de um tsunami, transformou-se em marola com a decisão do ministro Luiz Carlos Barroso de obrigar senadores e deputados a cumprirem a constituição e votarem as contas da presidenta Dilma em sessão bicameral, sob a presidência de Renan Calheiros.

Os raios solares começam a furar o bloqueio das nuvens negras que encobriam Brasília. A nuvem da semana passada não é a mesma desta semana. Domingo haverá manifestações nas principais capitais do país. O Brasil estará coalhado de branquelos pedindo o impeachment de Dilma. Haverá negros nas manifestações? Quantos?

Quantos golpistas Taubaté, esta panela de coxinhas, reunirá em frente ao Batalhão para protestar contra o governo? Por que eles não ocupam a Avenida do Povo? Medo de quê? Ou de quem?