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sábado, 12 de setembro de 2015

CARTA À PRESIDENTA DILMA

Senhora Dilma Rousseff,

Dirijo-me à Vossa Excelência por meio desta carta aberta por acreditar que, com a força da internet, alguém de seu governo poderá levar à senhora minhas reflexões e preocupação com o momento político que atravessamos.

O mar está revolto não por causas naturais, mas por inércia de vossos principais colaboradores na área política, entre os quais suas excelências no Ministério da Justiça (José Eduardo Cardozo) e na Casa Civil (Aloísio Mercadante).

Ninguém duvida de vossa honestidade, de vossa lisura, de vossa vontade de acertar, de vosso republicanismo, de vosso respeito às  instituições, mesmo quando elas agem contra os interesses do governo e desse glorioso país, como tem feito a Polícia  Federal, o Ministério Público Federal e o juiz federal de 1ª instância, senhor Sérgio Moro.

Note Vossa Excelência que sequer estou citando os ministros Gilmar Mendes e João Otávio de Noronha, ambos do TSE, que tentaram até recentemente incriminar a senhora com as contas de vossa última campanha eleitoral com o objetivo de cassar vosso mandato e os votos de 54 milhões de eleitores.

Há também o ministro do Tribunal de Contas da União, senhor Augusto Nardes, que pretende dar combustível à turma do PSDB, PPS e DEM rejeitando as contas de Vossa Excelência pelas tais "pedaladas fiscais" em 2014, algo tão usual nos últimos vinte ou trinta anos que o Congresso não havia votado nenhuma prestação de contas da administração federal desde o saudoso presidente Itamar Franco, que um dia a história reconhecerá como o verdadeiro "Pai do Real"  e não esta fraude chamada Fernando Henrique Cardoso.

Tudo somado, senhora presidenta, o que temos é uma atividade política transversa praticada por quem perdeu as eleições de 2014 e fica cada vez mais inconformada ao dividir acentos nos aviões com quem só viajava de ônibus, ou ver seus filhos tendo a companhia do filho do pedreiro cursando engenharia na mesma sala de aula.

Esta gente não admite que os subalternos deixem de ser subalternos porque estudaram e disputam o mercado de trabalho que julgam pertencer aos próprios rebentos.

Por isso, senhora presidenta, estamos ao vosso lado. Cerraremos fileira para defender vosso mandato porque, assim, estaremos defendendo a democracia duramente conquistada por homens e mulheres corajosas como a senhora, que ofereceram a própria vida em holocausto para usufruirmos da liberdade de nos expressarmos hoje, criticarmos o governo, criticarmos a senhora e, me perdoe a soberba, apontar caminhos a serem seguidos por vosso governo.

Sou testemunha viva de vossa locução no dia 11 de outubro de 2010, feita no auditório da Basílica Nacional de Aparecida, em entrevista coletiva, afirmando que, em seu governo (a senhor era candidata pela primeira vez) todas as denúncias de corrupção seriam investigadas e que a senhora não deixaria "pedra sobre pedra" neste quesito. A senhora não deve se lembrar, mas vosso pé esquerdo estava engessado por conta de uma torção.

Passados quase cinco anos, vejo que vossa excelência está cumprindo o que prometeu. A senhora não tem interferido nas operações policiais e ministeriais no caso da Lava Jato (que só "vaza" o que interessa para os golpistas). Espero que seja assim com a Operação Zelotes, que deve pegar os maiores sonegadores e corruptores da República.

São estes os homens por trás das inúmeras manifestações contra vosso governo, inclusive o vexaminoso e mal educado xingamento proporcionado ao mundo inteiro pela elite raivosa e inconsequente na abertura da Copa do Mundo de 2014. Só conseguiram demonstrar  de o quanto são pobres de espírito e de civilidade. Só havia branquelos naquela vaia.

Creio que o pouco "jogo de cintura"  para a política que a senhora tem demonstrado seja fruto da rigidez de sua formação educacional, herança europeia, do pai búlgaro. Peço, encarecidamente, que vossa excelência seja mais paciente politicamente, negocie com o parlamento. É uma necessidade republicana.

Presidenta Dilma: a senhora inicia a luta com 54 milhões de combatentes na sua reaguarda. O processo político deve se conduzido pela senhora. Afaste os intermediários quando se tratar de soluções políticas. A senhora tem nossa procuração. Use-a!

a) Velhinho de Taubaté