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terça-feira, 29 de setembro de 2015

“NÃO HÁ HIPÓTESE DE OS MILITARES
VOLTAREM AO PODER”, DIZ EXÉRCITO

Frase mais direta, sem possibilidade de interpretação dúbia, impossível. Quem afirma que os militares não voltam ao poder pela via do golpe é o general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, comandante do Exército Brasileiro.

General Villas Bôas reflete o pensamento das Forças Armadas: xô, golpistas
Não adianta, portanto, os coxinhas acamparem na porta dos quartéis, carregarem faixas nas marchas funéreas que promovem com apoio incondicional da Globo pedindo a volta dos militares ao poder porque “não há a menor hipótese de os militares voltarem ao poder”, avisa o general Villas Bôas.

Em longa entrevista ao Correio Brasiliense, publicada domingo (27), o militar fala das dificuldades que encontra com os cortes de gastos públicos e o prejuízo que isso causa a programas militares, mas descarta totalmente a hipótese de um golpe militar.

Não há resentimento em sua fala. Antes, o general entende as dificuldades conjunturais que o país atravessa. “Eu não queria estar no lugar do governo, na área econômica, porque eu vejo a dificuldade que eles têm,” disse o general, que não se furtou a elogiar Lula, que mandou seu ministro da Defesa (Nelson Jobin) “colocar a defesa na pauta de discussão nacional”.

Apenas esta colocação do general Villas Bôas é suficiente  para entendermos a importância de Lula frente a FHC nas questões da defesa nacional e do fortalecimento das Forças Armadas.

Talvez por isso FHC seja um ressentindo, mesmo sendo neto e filho de militares, se bem que seu avô queria matar D. Pedro II e seu pai foi um defensor do petróleo brasileiro, pelo qual lutou ao lado de Monteiro Lobato.

Aqui, alguns trechos da entrevista do general Villas Bôas, para acabar com o sonho golpista dos coxinhas de Taubaté, de São Paulo, do Rio, de BH, de onde for.

A oposição atribui ao fato de o ministro Jaques Wagner estar voltado para negociações políticas a falta de atenção com a Defesa.

Devo confessar que o Ministério da Defesa fez um bom trabalho na negociação do orçamento. Apesar dos problemas econômicos, eles conseguiram preservar programas. Poderia ter sido pior. Preciso admitir que foi um trabalho intenso e consistente. E foi uma das melhores negociações de orçamento que a gente já viu.

É uma crise claramente econômica. Mas há uma crise política. Há risco de instabilidade? Há preocupação do Exército nesse sentido?

Há uma atenção do Exército. Eu me pergunto: o que o Exército vai fazer? O Exército vai cumprir o que a Constituição estabelece. Não cabe a nós sermos protagonistas neste processo. Hoje o Brasil tem instituições muito bem estruturadas, sólidas, funcionando perfeitamente, cumprindo suas tarefas, que dispensam a sociedade de ser tutelada. Não cabem atalhos no caminho.

O Exército está atento. Está preocupado?
Claro, porque a situação tem reflexos. Vejam o problema que nós temos no Orçamento.

Mas o eco das ruas se espelha em algum momento dentro da tropa?

Sim. No Exército Brasileiro, só tem brasileiros. Estamos vendo a sociedade. Isso nos aflige, afeta, angustia, provoca ansiedade, frustrações da mesma forma.

Existe alguma possibilidade de os militares voltarem ao poder em determinado momento?

Não, não, não. Nenhuma.

Por quê?

Porque o que nos baliza é o que está na Constituição. Não há a menor hipótese de os militares virem a tomar o poder novamente.

O senhor não vê ameaça e ruptura institucional?

Hoje, não há. Podemos criar um cenário. Por exemplo, se a crise econômica se agravar. O problema seriíssimo do desemprego, que pode gerar alguma convulsão. O que acontece? Constituição. Nós tivemos problemas em 2013, na época da Copa das Confederações. Era uma situação extremamente crítica. O Exército estava pronto para atuar e ser empregado. Como seria? Com base na Constituição. Não foi necessário.

Para ler a íntegra da entrevista no sítio Defesanet acesse este este link.