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terça-feira, 15 de setembro de 2015

ROBERTO FREIRE, O GOLPISTA

Silvio Prado, professor

Roberto Freire, destacado nome da enraivecida direita brasileira, apareceu na última quinta-feira, dia 10, no programa nacional de rádio e televisão do PPS. Para não perder o costume, ele deixou claro o que todo mundo já sabe: seu partido apoia as investigações contra o PT e também a deposição da presidente Dilma.

Mas, segundo ele, quanto ao impeachment de Dilma tudo tem de ser feito constitucionalmente. Quer dizer, a deposição da presidente precisa ser algo bem diferente do que foi feito em 1964 com João Goulart, pois não vai ser um negócio muito bonito arrancar o PT do poder com a ajuda dos militares nem com algum ato físico truculento. Nada de marretadas cívicas. Nada de fuzis apontados ou tanques tomando as ruas. Tira-se do poder através do impeachment, resultado do imenso mar de lama que essa maldita gente petista espalhou pelo país. Foi essa a conclusão que Freire passou com suas rápidas palavras.

O programa do PPS e a fala de Freire também tiveram outra finalidade: preparar devidamente a opinião pública, para que não haja revoltas e nem convulsão popular na tirada da presidente, mesmo não existindo prova alguma contra sua idoneidade.

De militante pelo comunismo e sociedade igualitária, Roberto Freire agora é um dos apoiadores de um golpe paraguaio contra a democracia brasileira. Para isso, claro, é necessária a colaboração ativa e vergonhosa de um magistrado como Gilmar Mendes, em perfeita colaboração com o único e verdadeiro partido de oposição do país, a grande mídia. Que a operação Lava Jato (vaza jato, para muitos) continue prendendo apenas políticos do PT e que a Polícia Federal continue cumprindo fielmente o triste ofício de vazar para a imprensa informações que, pelo caráter da investigação, deveriam permanecer em sigilo, isso não tem problema algum. Faz parte do planejado. Importante é tirar Dilma do poder, encerrar a carreira de Lula e varrer o PT do cenário político.

O discurso de Freire, apesar de rápido, foi perfeito dentro da lógica do golpe arquitetado e procurou fazer a sua parte naquilo que o senador Bornhausen um dia explicitou: é preciso acabar com a raça petista. Então, descaradamente oportunistas e usando de argumentos baseados no combate à corrupção, Freire e o PPS partem para cima de Dilma e do PT fazendo de conta que no Estado de São Paulo eles não vivem trepados no mesmo pau de galinheiro do governo Alckmin.

Ora, se Freire defende a saída de Dilma em razão da denunciada corrupção petista, por que, em nome da coerência, o deputado não defende também o impeachment do governador Geraldo Alckmin? É claro que Freire e o PPS jamais fariam um papel feio desses. Como trair um parceiro estrategicamente tão precioso, mesmo que esse parceiro seja autor de escândalos que sugam os cofres de São Paulo há 20 anos? Como trair um parceiro que lhe dá secretarias e espaços onde podem ser colocados inúmeros quadros políticos estratégicos do partido?

Quem ouve Freire discursar pela moralidade, não imagina que ele seja companheiro de viagens e privilégios de um governo que, se houvesse justiça e se o Brasil fosse democrático, homens como o ex-governador José Serra e o próprio governador Alckmin, no mínimo, estariam com seus direitos políticos cassados.

Freire é daqueles deputados que acham que o povo é um conjunto de otários e, por isso, engole com facilidade a história de que o Mensalão é o grande escândalo político do país, mesmo que ele, Freire, conheça em detalhes o assalto aos cofres públicos de São Paulo através do escândalo dos trens do Metrô, por exemplo.

Para ter moral e combater a corrupção petista, ou a de qualquer outro partido, o PPS e seus deputados precisam primeiro explicar porque sempre, na Assembleia Legislativa, trabalharam e trabalham para que governadores tucanos nunca sejam investigados por seus desvios administrativos, apontados em mais de 60 tentativas de CPIs que a oposição entendeu de instalar.

A corrupção tucana, se beneficia diretamente de gente do mundo tucano, encontra em partidos como o PPS um escudo para alcançar seus verdadeiros objetivos. O partido de Roberto Freire comporta-se como um verdadeiro partido de aluguel, um refinado puxadinho do PSDB, porém cheio de pose e com o mesmo discurso que alimenta o ódio na massa de analfabetos políticos e ajuda a fortalecer uma espécie de fascismo tupiniquim, responsável por agressões de autoridades, pelo vômito de barbaridades diárias na internet e que, agora, passeia pelas ruas e comete suas afrontas com tranquilidade.

Portanto, causa nojo ver na propaganda partidária do PPS o falso e cínico discurso pela moralidade, principalmente na boca de Roberto Freire, um ex-comunista, mas um eterno cara de pau e incorrigível oportunista. E, agora, também golpista!