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domingo, 18 de outubro de 2015

BENEDITO MOREIRA, O “JORNALISTA"

Benedito Moreira foi meu colega de fábrica. Fui inspetor de qualidade na antiga Detroit Diesel Alisson do Brasil (DDAB), uma divisão da General Motors, em São José dos Campos.

Tínhamos, portanto, qualificações diferentes, embora qualquer idiota com um mínimo de conhecimento de paquímetro e micrômetro pudesse ser inspetor de qualidade de recebimento. Bastava saber ler números.

Benedito Moreira trabalhava no “linha” apertando parafusos nos motores que passavam à sua frente, incessantemente, sem tempo sequer para respirar. Só podia ir ao banheiro com permissão do líder da linha ou do feitor da área.

Ah! Sim. Antes, em 1972. Fomos colegas de Colégio Industrial, da Faculdade de Engenharia de Taubaté. Benedito Moreira já era visto ali como uma figura folclórica.

Garibaldo, personagem da Vila Sésamo nos anos 1970
Tanto que seu aliase era Garibaldo, uma homenagem que se fazia a um dos personagens de Vila Sésamo, o abilolado e desajeitado pássaro que as crianças adoravam.

Mas a história que quero contar é outra.

Um dia, em 1979, “estoura” a greve dos metalúrgicos. Alguma coisa me empurrou para o movimento grevista. Era, até aquele momento, o mais completo analfabeto político. Hoje sou um pouco menos.

Fui demitido da fábrica três dias depois de meu aniversário. Não sei por qual motivo Bendito Moreira deixou de ser operário.

O destino nos colocou juntos novamente no início dos anos 1980, numa redação de jornal. Eu, em São José dos Campos, como repórter, colunista e um dos editores do ValeParaibano. Benedito Moreira na sucursal de Taubaté.

Fora corresponde da Folha de S.Paulo em Taubaté, cargo que havia deixado alguns meses antes. Benedito Moreira aproveitou a vaga, que deixei por que quis, e ocupou o lugar.

Rapidamente tornou-se importante relações públicas da “Folha” com os militares do CTA, INPE, Embraer e Engesa.

Dia sim dia não, a página 4 da “Folha”, a mais importante do noticiário do jornal, estampava uma manchete mirabolante sobre as exportações da Embraer ou da Engesa, que tinha o Iraque como seu principal cliente por conta da guerra que travava contra o Irã.

A dedicação valeu a Benedito Moreira uma promoção. Foi trabalhar na Capital paulista e, depois em Brasília.

A sabujice com os militares da mais alta patente das Forças Armadas do Brasil lhe valeu a cobertura da exposição aeronáutica em Le Bourget, na França.

Suas matérias renderam boas manchetes à “Folha” e a decisão de mantê-lo como corresponde em Paris foi natural.

Benedito Moreira acabava de se transformar no “cinderelo” taubateano. Não era mais “garibaldo”. O “cinderelo”, nos dois anos que passou às margens do Sena ou debaixo da Torre Eiffel, esqueceu-se por que a “Folha” o mantinha em Paris.

Ao invés de saborear os deliciosos vinhos franceses, preferiu cheirar a produção colombiana, o que acabou lhe valendo um confinamento no Chile e sua posterior demissão depois de passar um tempo cobrindo “Cidades” na sede do jornal. Ou seja, foi trazido de Paris para cobrir buraco de rua em São Paulo, acidentes de trânsito e coisas de somenos importância. A carruagem do "cinderelo" virou abóbora.

Anos depois, no início deste século, encontro novamente Benedito Moreira, na Câmara Municipal de Taubaté. Pedia dinheiro para vereadores para fazer “matéria” a favor dos mesmos. O dinheiro pedido, oficialmente, era para comprar remédio. Para mim também Benedito Moreira pediu dinheiro. E eu lhe dei.

Passamos agora para 2011 – note que já se passaram 40 anos de nossa linha do tempo.

Escrevia neste blog sobre o governo Peixoto e suas estripulias. Benedito Moreira, desempregado, sem tempo de carteira assinada para se aposentar, à soldo do Palácio do Bom Conselho, passou a me criticar. E a defender o que era indefensável: o governo de Roberto Peixoto.

O veterano jornalista, com enfisema pulmonar e quase cego devido à catarata que o impedia de enxergar e reconhecer pessoas, foi encontrado por um assessor do deputado Padre Afonso.

Por influência do deputado, Benedito Moreira foi operado da catarata em São José dos Campos. Meu filho o acompanhou na cirurgia. O jornalista teve uma melhora significativa. Voltou a enxergar quase normalmente, mas continua “cego” jornalisticamente falando.

Ao simples tilintar de algumas moedas, vende sua pena para quem quiser pagar por textos sem nenhum conteúdo jornalístico, com falsidades e um descaramento típico de quem não tem nenhuma dignidade.

Benedito Moreira é um desses “jornalistas” que vendem a alma para sobreviver, sem se importar com a dignidade até de quem já o aconselhou a escrever sobre suas experiências profissionais.

Este texto nasceu pela minha indignação com o texto que Benedito Moreira escreveu hoje em seu blog, que ninguém lê, sobre mim, e o postou no Facebook, para me provocar. O texto é vulgar, tendencioso e mentiroso do começo ao fim.

Por algumas moedas, Benedito Moreira, que tentou uma boquinha de assessor de imprensa no Sindicato dos Metalúrgicos com a vitória de Hernani Lobato, e não conseguiu, agora sai em defesa da primeira-dama dos metalúrgicos, Neda Márcia Dias.

Não adianta puxar o saco de Hernani. Ele terceirizou o serviço de imprensa do Sindimetau e não há vaga para mais ninguém.

A operação não curou totalmente o problema de visão de Bendito Moreira, que ainda pratica um jornalismo arcaico. As moedas ainda o cegam.

Aqui o link para os amigos e amigas se deliciarem com as bobagens de Benedito Moreira, jornalisticamente mais cego do que nunca.

Quá quá quá quá...