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sábado, 24 de outubro de 2015

EU SEI O QUE A POLÍCIA FEDERAL
VEIO INVESTIGAR EM TAUBATÉ

O prefeito Ortiz Junior (PSDB), cassado em duas instâncias, é sempre bom lembrar, se preparava para gozar o feriado prolongado de 12 de outubro, como qualquer mortal alcançado pela pequena féria.

Estou falando do final do expediente comercial de sexta-feira, dia 9. Acabava de sair do estúdio da TV Cidade, onde participara do programa Cidade Alerta, conduzido por Chico Oiring, quando a informação chega por SMS:

A Polícia Federal acabara de sai do prédio da antiga Resolução Gráfica, que Ortiz Junior comprou com dinheiro do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), verba federal, portanto, daí o interesse da Polícia Federal.

O problema talvez não seja a utilização de dinheiro federal para adquirir um prédio para a Prefeitura. O problema talvez esteja na celeridade com que o negócio foi resolvido:

Apenas 13 dias depois de fechar com os proprietários da Gráfica Resolução, em 3 de dezembro de 2013, em 26 de dezembro do mesmo ano Ortiz Junior tirou do tesouro municipal a soma de R$ 2.650.600,00 para pagar a aquisição do prédio

Segundo matéria d’O Vale, de 21 de abril deste ano, mais de um ano depois de comprado, o prédio na Rua Dr. Emílio Whinter 106 estava em desuso. O outro, na mesma rua, no nº 108, permanece sendo o que sempre foi: um barracão.

O que chama a atenção de qualquer pesquisador (o Google é excelente ferramenta para isso) é a forma como os proprietários da Gráfica Resolução criaram uma empresa chamada Nasca Participações Ltda, para administrar alugueis de imóveis próprios, compra e venda de imóveis próprios e incorporação de empreendimentos imobiliários.

LINHA DO TEMPO

28/01/2013 – É aberta na Junta Comercial do Estado de São Paulo a empresa Nasca Participações Ltda, registrada sob o número (NIRE) 35227275381, com capital inicial de R$ 640.000,00.

24/01/2013 – A empresa inicia suas atividades na Rua Barão da Pedra Negra, 365, sala 8. Os sócios Lúcia Fogaça do Nascimento e José Hélio do Nascimento Junior possuem na empresa, respectivamente, capitais de R$ 6.400,00 (1% do total) e R$ 633.600,00.

05/08/2013 – O capital da Nasca salta para R$ 1.350.000,00. Um fenômeno comercial. Crescimento de 110% em apenas 7 meses de funcionamento

__________ Na mesma data, José Hélio altera seu capital de participação na Nasça de meros R$ 6.400,00 para nada menos que R$ 715.500,00. Outro fenômeno. Sua sócia aumentou seu capital inicial em R$ 900,00, passando de R$ 633.600,00 para R$ 634.500,00. Total: R$ 1.350.000,00.

__________ Os sócios decidem que não farão retiradas da empresa “a qualquer tempo ou período a título de pro-labore”, conforme o documento 293.410/13-6 emitido pela Jucesp.

Nota da Redação: Até a data acima, a Nasca não havia negociado a venda de seu imóvel próprio com a Prefeitura. Isto é só uma observação que considero importante para os amigos e amigas entenderem os fatos.

04/04/14 – Apenas quatro meses após negociar a venda do prédio da Rua Emílio Whinter com a Prefeitura, o capital de Lúcia Fogaça Nascimento se desvalorizou subitamente, conforme o documento 123.904/14-6.

__________ De sócia de praticamente metade da Nasca, Lúcia Fogaça Nascimento passou a ser dona de apenas 1% da empresa, ou seja, R$ 13.500,00. Mulher de uma bondade extrema. Entregou tudo sem reclamar.

__________ O capital de José Hélio do Nascimento Junior diminuiu: de R$ 1.350.000,00 para R$ 1.336.500,00.

08/10/14 – Nova alteração no capital da Nasca: passou de R$ 1.350.00,00 para R$ 1.500.000,00 sendo R$ R$ 13.500,00 de Lúcia Fogaça Nascimento e R$ 1.486.500,00 de José Hélio Nascimento.

Será que tem gato na tuba?