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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

FECHANDO ESCOLAS

Silvio Prado, professor

Quando Alckmin resolveu riscar do mapa boa parte da rede estadual de ensino ele pensou unicamente na saúde das verbas do Estado. Para o governador, fechar escolas virou uma obsessão. Danem-se professores, funcionários, alunos e toda a comunidade escolar.

Suas drásticas medidas não atingirão apenas o infeliz professor, mas a todos. Aquele professor efetivo, que se acha seguro em qualquer cidade que não tenha uma unidade fechada, também corre risco. Os chamados “intocáveis” das Escolas de Tempo Integral estão no mesmo barco que qualquer professor temporário. O ataque de Alckmin é para todos e vai provocar um desarranjo geral na vida de muita gente.

Não se pode esquecer que o governador que deseja arrebentar de vez com a educação, é o mesmo sujeito responsável pelo desastre hídrico na Grande São Paulo. É o mesmo que, na surdina, quis impor uma lei que proibiria por 25 anos qualquer consulta a documentos relativos ao Metrô paulista, jeito vergonhoso de impedir investigações sobre trens e vagões repletos de preços superfaturados, propinas e subornos envolvendo empresas como Alston e Siemens e toda gente fina tucana.

É o mesmo que controla um efetivo militar com mais de cem mil homens, mas não consegue criar um mínimo de segurança no Estado. Ele chefia uma polícia recheada de grupos de extermínio espalhados por batalhões e quartéis, capazes de entrar num boteco e queimar meia dúzia, atirar presos de telhados, matar e forjar cenários de resistência vergonhosos.

No sistema prisional de São Paulo, desde a sua primeira grande rebelião em 2006, funciona uma espécie de parceria entre o governo tucano e os grupos mais fortes do crime organizado. Portanto, Alckmin, aquele que deseja destruir escolas, não manda sequer nas cadeias paulistas. Nos presídios de São Paulo os tucanos conseguiram realizar plenamente o sonho de parceria no serviço público. E que parceiro inusitado conseguiram!

Como produtor do caos, Alckmin é o máximo, quase insuperável. Com mais de R$ 200 bilhões no orçamento de 2015, São Paulo ainda consegue andar para trás e nem mesmo uma escola pública de qualidade conseguiu criar em duas décadas de gestão.
Porém, se não há dinheiro para a educação, o mesmo não falta para gente inservível como João Doria Jr, que recentemente recebeu do governador uma verdadeira fortuna para bancar revistas – completamente elitizadas - não encontradas em qualquer banca do Estado. Não podemos esquecer que João Doria é um dos pré-candidatos a prefeito pelo PSDB em 2016 na cidade de São Paulo.

Alckmin distribui dinheiro público como se as reservas do Estado fossem propriedade familiar. Mas distribui para quem já tem dinheiro de sobra. É o caso das multinacionais Avon e do sexto maior banco do mundo, o City Bank, que recebem descontos especiais pelo preço da água fornecidas pela SABESP. A Faculdade Anhanguera, uma potência do ensino superior privado, faz parte da mesma lista de beneficiados no preço da água.

Quando se fala em falta de dinheiro para gerenciar o Estado, é bom lembrar o quanto faturam anualmente os tais acionistas da SABESP, alheios aos dramas do Estado, mas sempre faturando uma bolada com o tipo de gestão que os tucanos deram a essa empresa.

Se fosse administrador sério, Alckmin já teria fechado, por exemplo, as torneiras da FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação -, de onde saíram, em 2012, cerca de R$ 2 milhões para custear a campanha de Ortiz Jr , eleito prefeito de Taubaté naquele ano pelo PSDB.

A FDE, conforme inúmeras denúncias do Ministério Público e até da grande mídia, é um verdadeiro sumidouro de verbas do ensino. Pesam sobre a instituição denúncias que falam de milhares de bolsas para alunos fantasmas em diversas universidades paulistas, reformas superfaturadas de prédios escolares e compras sem licitação de assinaturas de jornais e revistas que ajudam a esconder a fase escabrosa dos tucanos. Não se sabe com qual finalidade pedagógica, mas até com a famosa revistinha da Mônica foram consumidos milhões de reais dos cofres da educação.

Portanto, fechar escolas, diminuir o tamanho da rede e criar problemas novos sobre os muitos problemas enfrentados pela educação paulista é mais um ato de irresponsabilidade do governador Geraldo Alckmin. No seu quarto mandado ele sabe muito bem quais são os verdadeiros problemas paulistas, inclusive os da educação.

Porém, ao invés de elaborar políticas que lhes dê combate, o governador se esmera em criar novos ou fortalecer os já existentes. Querendo ou não, para o azar de todos nós, o governador paulista cumpre com rigor a velha e conhecida história de fechar escolas e abrir presídios.