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domingo, 4 de outubro de 2015

LEI DO SILÊNCIO

Silvio Prado, professor

Agora, em se tratando de Eduardo Cunha, o que impera é a lei do silêncio. Até parece que Cunha é um daqueles que mandou matar ou matou sob os olhos de muita gente numa dessas quebradas onde miséria e violência se cruzam todo dia. Ninguém viu nada. Ninguém sabe nada. Se a polícia quiser saber alguma coisa, ela que ressuscite o morto e o faça falar por que razão foi assassinado, como e em quais circunstâncias.

Com as últimas acusações vindas da Suíça contra Cunha, instalou-se um silêncio geral nas vielas e quebradas da direita brasileira. Fernando Henrique Cardoso, tão falastrão, parece que extraiu todos os dentes e não consegue pronunciar sequer uma palavra sobre o assunto. Serra, certamente sentou-se na cadeira do mesmo dentista e passou por igual procedimento. Aécio tem muito mais o que fazer e foi, neste final de semana, aparar o mato que cresce nas laterais da pista do aeroporto da cidade de Claudio.

As capas das revistonas também seguem rigidamente a lei do silêncio e protegem o bandido em questão se ocupando de Lula, Dilma e o PT, na inútil tentativa de literalmente destruí-los. Se algum jornalista de verdade perguntar ao sociólogo FHC sobre as contas secretas de Cunha na Suíça, bem poderá receber como resposta: Suíça? Que pais é esse? Onde fica?

Enquanto isso, o deputado bandido (ou bandido deputado), depois do golpe mortal recebido, toma um rápido gole de água, arruma as luvas e tenta voltar para o centro do ringue. Ele vem cambaleante e sabe que pode tropeçar nas próprias pernas e cair antes de desferir o golpe que considera fatal, ou seja, fazer passar na Câmara o pedido de impeachment da presidente Dilma.

Esperando esse importante momento, portanto, estão em silêncio os loquazes senhores da direita brasileira, tudo muito idêntico ao comportamento de algum senhor do tráfico que diante de um crime que mandou cometer – hediondo ou não – exige de suas comunidades silêncio absoluto sobre o caso. Ninguém viu. Ninguém ouviu. Ninguém sabe.

Na verdade, criminosos, independente das roupas que vestem,comida que comem ou lugar onde vivem, são todos perigosamente iguais.