Páginas

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

PROTÓGENES É DEMITIDO DA PF

O ministro da Justiça José Eduardo Cardozo demitiu na última terça-feira (13) o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz. Acusação: vazamento de informações sobre a Operação Satiagraha, que comandou e levou à prisão o banqueiro Daniel Dantas.

Barbosa Filho  e eu no lançamento do livro de Protógenes, em Campinas
Na manhã desta quinta-feira (15) conversava com o jornalista Barbosa Filho que esteve no lançamento do livro de Paulo Henrique Amorim, “O Quarto Poder”, no Instituto de Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo.


Barbosa fora tratar com Altamiro Borges, presidente do Barão, dos últimos detalhes sobre o lançamento da regional do instituto em Taubaté, com abrangência em todo o Vale do Paraíba, Litoral Note e Serra da Mantiqueira.

No meio da conversa, quando Barbosa falava sobre os pontos de vista de Mino Carta (criador da Veja, IstoÉ, Quatro Rodas e a atualíssima Carta Capital) e sua desilusão com o PT, a continua apoiando.

Capa do livro do agora ex-delegado
Comentamos rapidamente sobre o poder descomunal e avassalador exercido pelo poder financeiro sobre governos e governantes. Lembramos a “promoção para baixo” do ínclito delegado Paulo Lacerda, tirado do comando da Polícia Federal para ser adido na embaixada brasileira de Lisboa.

Paulo Lacerda foi o diretor da PF que nomeou o delegado Protógenes Queiroz para comandar a Operação Satiagraha (os detalhes da operação constam do livro escrito pelo agora ex-policial).

O destemido delegado prendeu não apenas o poderoso Daniel Dantas bem como o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito paulistano (falecido) Celso Pitta.

A prisão de Dantas valeu dois habeas corpus no tempo recorde de 48 horas assinados pelo ministro Gilmar Mendes.

Afastado da PF, Protógenes candidatou-se a deputado federal pelo PC do B. Manteve-se no cargo enquanto detinha mandato. Sem conseguir a reeleição o ano passado, em setembro deste ano o STF confirmou as punições ao delegado, que acabou demitido nesta terça-feira (13).

Participei, em março do ano passado, junto com o jornalista Barbosa Filho, do lançamento do livro Operação Satiagraha numa livraria de Campinas.

Há um ano, às vésperas da eleição, entrevistei Protógenes na TV Cidade. Comigo estava Barbosa Filho. Foi a última vez que nos falamos.

Quando conversamos ao telefone (Barbosa e eu) sobre o poder descomunal e avassalador dos grandes capitalistas sobre governos e governantes, chegamos a comentar que Lula sucumbiu ao poder econômico de Daniel Dantas, que exerce grande influência nos tribunais – para entender a questão, basta ler o livro Operação Banqueiro, de Rubens Valente.

De que Protógenes é acusado?

De “vazar” informações sobre uma operação que comandava.

O que fez o ministro José Eduardo Cardozo até agora sobre os “vazamentos” de Curitiba?

Haverá punição aos delegados grampeadores e aecistas?

Os tribunais federais punirão eventuais excessos da turma do Paraná?

Ou isto não vem ao caso?

É mais fácil punir quem cumpriu sua obrigação, demonstrou os descaminhos do dinheiro e colocou na cadeia, ainda que por poucas horas, quem merecia a prisão.

Protógenes é acusado de corrupção? Não! Este é o retrato do Brasil de hoje.

Aqui, o que escreveram os delegados federais em sua (dele, Protógenes) defesa:

“O crime maior que lhe foi imputado foi ser o coordenador da Operação Satiagraha e não aceitar proposta de corrupção. Sempre defendeu os interesses do Estado, combateu grandes esquemas de corrupção, investigou e prendeu os que desviaram dinheiro público”.

É preciso mais alguma coisa?

Leia aqui a matéria de Fausto Macedo e Julia Affonso no sítio do Estadão.