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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

INSANOS

Silvio Prado, professor

Aí Geraldo Alckmin
No extremo da loucura
Exigiu do secretário 
Burocrata sem ternura
Que contasse e recontasse
E avaliasse a estrutura
De quanta escola precisa
De cadeado e fechadura.
Então a dupla insana
Que odeia a educação 
E acha que todo pobre
Fica bem numa prisão
Anunciou solenemente
Num rico e nobre salão
O total de quantos prédios
Vão sumir nessa gestão.
Se no anúncio finório 
Não teve um palavrão, 
No seu íntimo e entrelinhas
Ficou visível a sugestão
De um foda-se enrustido
Com aquele dedo da mão
Endurecido e apontado
Na cara da educação.
Dizia foda-se o aluno
Que vai ficar amontoado
Numa sala onde o espaço
Pequeno e desconsiderado 
Parece mais um depósito
Onde o pobre sufocado 
Se antecipa ao ambiente
Onde o “sol nasce quadrado”.
Igualmente o professor
Que ele se foda por inteiro
Dando aulas de um jeito
E se não der seja o primeiro
A desistir da profissão
Onde males rotineiros
Fizeram de toda escola
Um explosivo vespeiro.
Se pai ou mãe descontentes
Tomarem ruas e praças
Dizendo que não aceitam
Não vendo nenhuma graça
Em medidas que aumentam
No povo a sua desgraça
Logo uma tropa de choque
Vai lhes dobrar a carcaça.
Portanto, Geraldo tucano
E seu secretário bovino
Sorrindo cancelam o futuro
De quanta menina ou menino
Fechando escolas e salas
Semeando desatinos 
Gritando na sua loucura:
Ora, que se foda o ensino!