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terça-feira, 24 de novembro de 2015

ALCKMIN QUEBROU A CARA!

Silvio Prado, professor

Alunos de cem escolas paulistas ocupadas estão proporcionando ao país uma aula pública de educação e política. Diante do fato, não se deve esquecer que as escolas ocupadas estão sob a gestão de uma das figuras mais queridas e blindadas pela mídia brasileira, o senhor Geraldo Alckmin, que, apesar de ser o pau de galinheiro que é, sempre é apresentado ao público como alguém isento de manchas e nódoas, perfeito administrador, católico praticante, o homem de bem que o país precisa para entrar na linha e sair do abismo.

Todos sabem que Geraldo Alckmin não é nada disso. O governador de São Paulo é o homem que tem as mãos sujas pelo sangue espirrado das dezenas de chacinas praticadas por sua polícia, cujo símbolo maior de violência é a tal ROTA,obra prima da truculência criada no regime militar. É o homem que disse sim ao massacre do Pinheirinho e botou ao desabrigo mais de oito mil pessoas. É o administrador que exemplarmente viu secar a Cantareira, deixou São Paulo sem água, mas não negou um centavo para os acionistas internacionais dos incríveis lucros da SABESP.

Alckmin é o grande cara da direita brasileira que, pelo impacto causado pelas ocupações de escolas na periferia deve estar perdendo um fio de cabelo por segundo, pois o desgaste provocado pela decisão de fechar escolas deve mexer com os poucos neurônios até de seu mais fiel eleitor. Abrir um presídio em cada esquina, de certa forma chega a ser até bem visto pelo eleitorado, mas fechar escolas não entra na cabeça de ninguém e chega a lembrar coisas que só brotam em mentes dignas do Estado Islâmico.

Não se deve ter ilusões com Geraldo Alckmin, o mesmo que pode ser considerado o pai das privatizações de empresas públicas paulistas. O mesmíssimo senhor que tentou impedir a admissão de professoras consideradas obesas e que chegou a pedir atestado de virgindade para a admissão de outras. Portanto, a obra desse tucano no terreno do retrocesso social não deve ser desprezada.

As portas das igrejas, católica ou evangélicas, estão todas abertas para ele. Fiel assíduo da missa principal da festa de todo dia 12 de outubro em Aparecida e, também, durante certo tempo, aluno aplicado das lições e conselhos que, dentro do Palácio dos Bandeirantes, pregadores do Opus Dei lhe davam, Alckmin zela pela sua imagem de bom moço e homem espiritualizado, agora desmoronando pela intensidade das ocupações de escolas feitas exatamente por aqueles que ele certamente detesta, jovens e todo tipo de gente pobre.

Mesmo com toda grana gasta comprando obras dos grandes meios de imprensa, e com essas compras praticamente comprando a blindagem política que precisa, não foi possível dessa vez esconder tamanho barulho da população. Portanto, alguns milhares de alunos nas ocupações de escolas periféricas viraram protagonistas de uma série de atos que significam murros doloridos na boca do estômago do mais forte candidato presidencial da direita brasileira. Aquele que propõe fechar escolas paulistas e, se for eleito presidente, poderá expandir essa loucura para um pais que vergonhosamente tem hoje cerca de 13 milhões de analfabetos.

Que a sua policia mate gente pobre por atacado ou que os hospitais públicos paulistas estejam sob mãos de gente da iniciativa privada disfarçada de organizações sociais, parece que incomoda pouquíssima gente. Mas fechar escolas visando cobrir rombos orçamentários provocados por má gestão, isso passa até por crime hediondo cometido contra quem não tem quase nada, muitos inclusive vivendo na linha da miséria.

O governador que, no início do ano, cinicamente negou existir uma greve de noventa dias dos professores paulistas não tem hoje como negar que cem escolas estejam ocupadas e que seu projeto de reorganização teve até agora um só mérito: criar uma indignação generalizada e, a partir dela, organizar alunos, professores, pais, personalidades públicas respeitosas e grande parte do movimento social em defesa da educação pública.


Se a escola paulista que temos hoje já não serve para grande coisa na vida do aluno, a diminuição de seu tamanho e a precarização (reorganização) proposta por Alckmin vão conduzi-la ao desastre absoluto, desastre que será devidamente usado para criar argumentos que facilitarão de vez a privatização do ensino público que o PSDB tanto deseja.