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terça-feira, 3 de novembro de 2015

COMUNICAÇÃO NÃO É ASSUNTO
(SÓ) PARA JORNALISTAS

Antonio Barbosa Filho, jornalista (*)

Georges Clemenceau foi um médico, jornalista e estadista francês. Fundou jornais como o “La Justice” e o “L’Aurore”, que marcaram a vida do seu país pelo seu caráter libertário. A ele é atribuída a frase: “A Guerra é uma coisa demasiadamente grave para ser confiada aos militares”. Obviamente, ele queria dizer que a Guerra e a Paz são decisões políticas, cabendo aos militares implementarem as ações de combate a partir de uma decisão tomada pelos governos civis, em nome de toda a sociedade.

Da mesma forma, quem pensa que a Comunicação Social é assunto exclusivo dos jornalistas, cientistas, e estudiosos da área, está muito enganado. Se isso já era falso há séculos, hoje, nos tempos da internet, tornou-se absolutamente superado.

A Comunicação Social (aqui referindo-me aos meios de Comunicação de Massa, para não entrarmos nas muitas outras formas de Comunicação, que incluem as artes e o “boca-a-boca”, por exemplo) é, cada vez mais, um Direito básico do cidadão. Aliás, está lá na Carta Universal dos Direitos do Homem:

Art. 11.º A livre comunicação das ideias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem; todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na lei.

Por isso, o surgimento de entidades como o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, significa mais um instrumento para que as pessoas comuns, de todas as profissões e graus de escolaridade, possam conhecer e opinar sobre a Comunicação. Já se foi o tempo em que a imensa maioria da população apenas lia, ouvia e via o que desejavam os “donos” de jornais, radios e TVs. O consumidor de informação, que somos todos nós, era passivo neste processo: recebia, mas não podia discutir ou contraditar o que lhe diziam, com ar de majestade, os comunicadores profissionais.

Graças às redes sociais da internet e a outros meios de Comunicação ditos “alternativos”, qualquer pessoa pode hoje, com um acesso cada vez mais ampliado, discutir as “verdades” que antes lhe eram impostas. Pode-se ter dúvidas, pode-se questionar o que os jornalistas e “analistas” afirmam. Pode-se desmascarar mentiras, anular boatos, pesquisar outras versões – e, a partir de mais dados, formar opinião sobre todos os temas.

No Brasil este ainda é um processo novo, difícil. A maioria dos meios de Comunicação tradicionais – jornais, revistas, rádios e TVs – pertence a poucas famílias, que usam, no caso dos meios eletrônicos, concessões públicas (ou seja, de todos nós) para fins privados (isto é, para fins de lucros e defesa de interesses próprios dessas famílias).

Desde 2003, principalmente, esses grupos familiares que detém o poder da Comunicação tradicional começaram uma Guerra contra os governos trabalhistas iniciados com a posse de Luis Inácio Lula da Silva. Perdendo o acesso livre que sempre tiveram ao Poder central – lembrem-se que a mídia elegeu e, depois, derrubou Collor de Melo – os “donos” dos meios partiram para a briga, e formaram um partido politico de oposição. A presidenta da Associação Nacional dos Jornais, Judith Brito, foi muito clara, ao afirmar que “os partidos de oposição são muito fracos, e cabe a nós fazermos a verdadeira oposição a esse governo”.

Não seria tão grave se esses grupos familiares fizessem oposição mas permitissem a palavra de quem discorda desta linha. O debate é bom, e a Democracia precisa dele. No mundo todo há jornais afinados aos trabalhistas, aos conservadores, aos liberais, aos católicos, aos evangélicos, aos ecologistas, etc. O leitor ou telespectador pode escolher as idéias que lhe parecem mais corretas, e também ler ou ver as ideias contrárias. Só no Brasil, entre os países democráticos do mundo, há uma voz única, uma pauta de notícias e opiniões de um só lado. Você não tem escolha.

Por exemplo: corrupção, no Brasil, Segundo o partido da mídia, só existe no PT ou nos seus aliados! Quando o Ministério Público da Suiça bloqueia dinheiro depositado naquele país proveniente de roubalheira de politicos do PSDB, a mídia brasileira esconde! Isso é roubar ao cidadão um de seus direitos básicos: o de conhecer os fatos e poder julgar por si próprio os caminhos da sociedade.

O Centro Barão de Itararé acaba de inaugurar seu núcleo na região do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira, para aprofundar este debate. Não é um “clubinho” de jornalistas ou de blogueiros e internautas. É um espaço para ampla discussão da Comunicação, aberto a todos os que produzem ou consomem informação – ou seja, todo mundo.

Se você prefere ter capacidade crítica, conhecer todos os lados de um fato, especialmente da Política, não pense duas vezes: participe do Barão de Itararé em nossa região, onde sua voz será respeitada e suas dúvidas esclarecidas. Você se tornará mais Cidadão (Cidadã), e saberá julgar muito melhor os rumos da cidade, do Estado e do Brasil.

E isso, no mundo moderno, é fundamental.

(*) Membro da coordenação regional do Centro Barão de Itararé)