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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

DA PAULISTA AO PALÁCIO

Silvio Prado, professor

Na quinta-feira passada, 29 de outubro, saindo do vão do MASP, na Avenida Paulista, tivemos mais uma das grandes passeatas em defesa da escola pública e da educação. Foi um ato maravilhoso. Milhares de alunos e professores empunhando faixas, cartazes, e dizendo palavras de ordem contra a desordem que o governo de São Paulo quer aumentar na rede de ensino com a tal reorganização que, na verdade, é o meio mais descarado de fechar salas de aulas e escolas e conseguir diminuir o rombo nas contas tucanas.

A revolta contra tal medida se mostrou unânime. O que se viu na Avenida Paulista foi uma coisa extremamente rara no movimento pela educação do Estado: inúmeras entidades chamando e organizando um evento que deve ter provocado calafrios no governador Geraldo Alckmin e no Herman, secretário da deseducação.

Diversas entidades se manifestaram e, mais importante ainda, pais de alunos. Quando uma mãe colocou em sua fala Alckmin em seu verdadeiro lugar, chamando-o de “escroto e ordinário”, o vão do MASP parece ter tremido de felicidade.

Depois, no caminho da passeata, ainda na Paulista, deu-se talvez o fato mais emocionante do dia. Foi o encontro de professores, pais e alunos com milhares de militantes dos movimentos por moradia em São Paulo, vindos de vários pontos da periferia manifestar seu apoio aos professores e alunos. São eles que prometeram ocupar as escolas rifadas pelo fechamento criminoso de Alckmin.

É claro que o ato pela educação, como já se tornou costumeiro, contou com a presença carrancuda de milhares de policiais com seus carros , motos, tropas de choque e armamento pesado, como se um bando de gente do crime organizado estivesse aprontando pelas ruas paulistanas.

É preciso dizer que essa mesma polícia, tão atenta e presente nos atos de reivindicação dos educadores, quase nunca tem carros e policiais para oferecer segurança quando escolas, professores ou alunos sofrem ações violentas de gente criminosa.

Essa mesma polícia, que coloca inúmeros policiais empunhando câmeras filmadoras e fazendo registros que, na hora oportuna, servirão para orientar com precisão como e quem reprimir, teve que ouvir durante a caminhada coisas que, principalmente a juventude vinda da periferia, não consegue reprimir: “chega de chacina, polícia assassina”.

As entidades acertaram nessa busca de unidade em torno de algo que é do interesse geral: a defesa da escola pública e da educação, coisas que não merecem o respeito de um governo marcado pelo cinismo, truculência e desmonte do Estado.

Porém, nem tudo foi perfeito na quinta-feira. O único fato triste do dia se deu a partir de alguns professores da subsede da Apeoesp, de Taubaté. Acredite quem quiser: se recusaram a participar da manifestação por considerá-la infiltrada por pais, alunos e entidades que, segundo eles, não tendo nenhuma relação direta com a educação e os professores, nem deveriam ter comparecido na Paulista.

Por isso, mesmo antes do final do ato, já estavam na van que os trouxera, prontinhos para o retorno, alguns até irritados pela demora, mas segurando com muito cuidado e zelo os pacotes que guardavam coisas compradas num passeio feito antes pela 25 de Março.

Absurdo, vergonhoso! Parece que os desgastes da profissão já começaram a comprimir cérebros e suprimir neurônios de alguns professores.

Mesmo com esses tristes deslizes, estamos todos no caminho certo e, no dia 10, vamos encurralar o governador cercando como se deve o Palácio do Bandeirantes.