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terça-feira, 17 de novembro de 2015

JUSTIÇA DESARMA BOMBA
PREPARADA POR ORTIZ JR

A vida política em Taubaté sempre foi de respeito aos adversários até 1982, quando Bernardo Ortiz elegeu-se pela primeira vez prefeito desta urbe quase quatrocentona. O velho caudilho inaugurou os tempos do que há de pior na política local.

Os mais velhos hão de se lembrar de Benedito Elias de Souza (Lolito), Jaures Guisard, Waldomiro Carvalho, Milton de Alvarenga Peixoto, Joaquim de Morais Filho, Guido José Gomes Miné e José Ribeiro da Cunha (Juquinha), políticos notórios entre 1960 e 1980.

Foram adversários políticos.

Com exceção de Lolito e Joaquim e Morais Filho, todos foram prefeito de Taubaté. Mesmo quando se acusavam nos palanques em memoráveis campanhas eleitorais, jamais injuriaram um ao outro, jamais fizeram falsas denúncias ou buscaram o abrigo da justiça para se beneficiar.

Passados 30 anos, o herdeiro político de Bernardo Ortiz mostra ter sido ótimo aluno. Ardiloso, o prefeito cassado em duas instâncias não tem pejo em usar seus sequazes para fazer o que o pai lhe ensinou e ele absorveu tão bem: destruir seus adversários com falsas acusações, para se beneficiar politicamente.

José Bernardo Ortiz Monteiro Junior aprendeu como ninguém com o seu velho pai como destruir moralmente os adversários, criando condições para que eles respondam na justiça pelo que não fizeram.

Esta sempre foi a tática de Bernardo Ortiz, que fez tanto sucesso nas duas últimas décadas do século passado que até hoje há quem odeie Salvador Khuriyeh sem nenhum motivo, pois foi um bom prefeito para Taubaté, ou Ary Kara José, que colocou o velho caudilho para conversar com o governador Franco Montoro no Palácio dos Bandeirantes.

As notícias naquela época corriam lentamente e calavam fundo nos receptores, tornando-se verdades incontestáveis.

Ary Kara, à esquerda de Bernardo Ortiz, apresenta o recém
eleito  prefeito de Taubaté ao governador Franco Montoro
Hoje, com o advento da internet e das redes sociais, que possibilitam as comunicações interpessoais e a divulgação de notícias em tempo real, as mentiras podem ser desmontadas em poucas horas.

A rapidez da contrainformação e a facilidade de acesso a informações oficiais permitem desmentir os boatos pré-eleitorais rapidamente, antes que eles sejam digeridos pelos receptores e se tornarem verdades insofismáveis, como pode ser conferido aqui e aqui.

A última tentativa de Ortiz Junior deu errado.

A Justiça Federal, onde corre em segredo de justiça o processo 0038655-07.2009.4.03.0000, que tem como réu o ex-prefeito Roberto Peixoto, negou pedido de oitiva da vereadora Pollyana Gama e do prefeito cassado, ambos pré-candidatos a prefeito o ano que vem.

Cabe perguntar:

1) Como Ortiz Junior sabia que a defesa de Roberto Peixoto havia solicitado à Justiça Federal a oitiva dele próprio e da vereadora Pollyana Gama se sequer foi convocado para depor?

2) Como Ortiz Junior tinha “conhecimento” do teor do depoimento de Fernando Gigli ao TRF-3?

3) Por que Ortiz Junior escolheu os vereadores Rodrigo  Luís Silva – Digão, e Luiz Soares Gonzaga – Luizinho da Farmácia, respectivamente, presidente e líder do governo na Câmara, para ajudá-lo a disseminar o boato de que o depoimento de Fernando Gigli seria uma “bomba” que destruiria a possível candidatura de Pollyana à  Prefeitura?

4) Por que os advogados de Roberto Peixoto que, segundo consta, não recebem seus honorários há meses, pediriam à Justiça Federal para incluir Pollyana e Ortiz Junior entre os depoentes de um processo em que nenhum dos dois é parte?

O juiz Paulo Bueno de Azevedo, em despacho de 16 de outubro, há um mês, portanto, negou a solicitação formulada pelos advogados de Roberto Peixoto por que:

a) “O requerimento tem caráter manifestamente protelatório e visa causar tumulto processual. Por sinal, aparentemente é a defesa técnica que mais está se preocupando com as eleições de Taubaté, o que, de modo algum, pode ser interesse deste Juízo”.
NR – Por defesa técnica, entenda-se defesa de Roberto Peixoto.

b) “Aliás, revendo o interrogatório de Fernando Gigli neste feito, constato que o réu chegou a mostrar certa dúvida a respeito dos nomes dos vereadores envolvidos na reunião, dizendo que poderia cometer algum engano e chegando até a perguntar se poderia tentar”.

c) “Portanto, o nome dos vereadores dado por Fernando Gigli não é um dado que se relaciona diretamente ao objeto da ação penal, além do que o próprio réu demonstrou certa dúvida a respeito”.

d) “A tese defensiva de que o depoimento de Fernando diz respeito ao momento político da Prefeitura de Taubaté será analisada por ocasião da sentença, não sendo o caso de se antecipar valorações sobre o depoimento do réu”.

NR – O juiz não entrou na “pilha” dos advogados de Peixoto. Se Peixoto não estaria mais pagando os honorários de seus advogados, que pagou?