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domingo, 22 de novembro de 2015

O QUE É UMA ESCOLA
PARA ALCKMIN E HERMAN?

Silvio Prado, professor

O que é uma escola? Certamente na cabeça de Geraldo Alckmin e Herman Voorvald, seu secretário de educação, uma escola não passa de um prédio onde, dividido em salas diversas, devem ser amontoados alunos e mais alunos – 40, 50 ou 80 – como se escola fosse depósito de gente. E como se gente fosse caixa de papelão, tijolo ou qualquer mercadoria usável ou descartável no mercado que pudesse ser empilhado conforme a opinião de um mestre de obras ou qualquer cidadão.

Na cabeça de Alckmin e Herman, escola é apenas prédio que precisa viver inchado de crianças e adolescentes sob a direção de algumas dúzias de professores cuja única finalidade é participar ativamente de uma estranhíssima linha de produção que, no seu final, despejará na sociedade uma leva de cidadãos sem cidadania, milhões de cabeças com neurônios divorciados um do outro, travados,cabisbaixos, domesticados e aptos a dizer amém diante de qualquer bobagem do mercado.

A palavra educação não cabe na escola dessa dupla maléfica. E para que o aluno seja um perfeito serviçal do sistema, o professor dessa escola precisa ser um perfeito serviçal do Estado. Precisa de cartilhas emburrecedoras e bestializadas. Precisa de reuniões pedagógicas esvaziadas de pedagogia. Precisa do silêncio sem crítica cobrado pela cara feia do diretor, supervisor ou coordenador pedagógico. Precisa do enquadramento sistemático que produz avaliações geradoras de números desastrosos e frustrações que desembocam numa coisa corrupta chamada bônus de mérito.

A escola de Alckmin e Herman também serve para produzir mais do que levas de não cidadãos. Ela produz um punhado de outras coisas igualmente condenáveis, como reformas superfaturadas de prédios escolares, compras de materiais supostamente pedagógicos e necessários ao ensino, fantasias primárias como a tal Escola de Tempo Integral, mil processos na justiça que nunca andam porque, por incrível que pareça, setores da justiça em São Paulo muitas vezes são mais tucanos do que o próprio governador.

A escola que eles dizem que é escola, mas não passa de prédios esvaziados de conteúdo que seja útil ao jovem paulista, vive blindada pela grande mídia, e suas contradições nunca aparecem gritantes como de fato são. Elas são idênticas a todas as outras contradições escandalosas que se dão, por exemplo, em áreas como o transporte sobre trens ou no horrendo formato adotado pelas organizações sociais em dezenas de unidades de saúde do Estado.

Alckmin e Herman nem parece que vivem numa terra que já teve educadores do porte de Anísio Teixeira, Paulo Freire ou Darci Ribeiro, homens que pensaram a educação e a escola com profundo respeito pelos desejos de conhecimento emancipador da população. Diante desses, o governador de São Paulo e seu secretário não apenas parecem, mas são homens toscos, ventríloquos do mercado, vendilhões do templo da educação e não merecem o respeito de ninguém. Só por acidente estão à frente do estado ou do ensino paulista, mas com a frieza que possuem poderiam se dar muito bem vendendo armas e artefatos de guerra inclusive para o Estado Islâmico, pois são destrutivos e vivem arquitetando planos que só visam destruir o que é público.

Por isso, que coisa grandiosa é esse processo de ocupação de escolas públicas estaduais que se dá em São Paulo nesse exato momento. A picaretagem pedagógica tucana, antes tão bem blindada, agora acabou visível pelo imenso rombo que a estudantada e o movimento social estão incansavelmente nela fazendo.

A escola paulista, contra os propósitos tucanos, agora está na ordem do dia e sua verdadeira imagem detona a grossa maquiagem que lhe foi imposta durante duas décadas. Com as ocupações, a tal reorganização deve ter sofrido impacto tão grande que certamente outros planos maléficos do governo paulista na área da educação deverão aguardar momentos mais propícios para serem efetivados.