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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

ALCKMIN: A OPÇÃO PELA REPRESSÃO

Silvio Prado, professor

Falta papel higiênico nas escolas paulistas, mas não falta dinheiro para que as tropas repressivas da polícia possam torrá-lo em centenas de bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes do movimento popular em qualquer lugar do estado de São Paulo. Outro dia um jornalista informou que cada bomba de gás lacrimogêneo que estoura e sufoca manifestantes custa em torno de R$ 800,00 aos cofres estaduais. Quase um salário mínimo.

Falta dinheiro para remunerar decentemente o professor, mas não faltaram recursos para o governo Geraldo Alckmin comprar do Estado de Israel seis veículos tipo Caveirão, aqueles que no Rio de Janeiro sobem e descem morros exterminando supostos traficantes, gente pobre e geralmente negra.

Os seis novos veículos mortíferos da polícia paulista arrancaram da saúde, da educação, da cultura, do lazer e de tudo que forma decentemente o ser humano R$ 30 milhões. E vão arrancar mais, pois precisam de manutenção permanente e cuidados específicos com sua tecnologia, que certamente foi em grande parte adquirida nos mais de 50 anos em que Israel vem ocupando terras palestinas e exterminando sistematicamente aquele povo.

Especialistas em segurança pública falam que esse tipo de blindado não tem lá muito eficiência para combater a criminalidade. No entanto, ele mostra ser bastante eficiente na repressão aos movimentos populares, como já estamos vendo em São Paulo nos últimos dias.

O governo Geraldo Alckmin, que outro dia levou uma surra política dos estudantes secundaristas, nunca disfarça suas verdadeiras intenções. É um governo para servir os privilegiados de sempre. E para servir os privilegiados não basta apenas abrir os cofres públicos paulistas na direção das privatizações, parcerias e toda sorte de artificios quase nunca devidamente investigados. É preciso também um grande braço armado, capaz de reprimir sem piedade qualquer coisa ou ato público que confronte a falsa ordem e os interesses tucanos.

Esse braço armado, composto por mais de cem mil homens, tradicionalmente se veste de cinza e se comporta docilmente às ordens do atraso. Bate e arrebenta à luz do dia, seja na Avenida Paulista ou em desocupações em lugares miseráveis, como no bairro do Pinheirinho, em São Jose dos Campos. Em 22 de janeiro de 2012, depois de barbarizar 8 mil moradores do Pinheirinho, arrancá-los de suas casas e jogá-los na rua, integrantes desse braço armado ainda acrescentou estupros ao rol de crimes cometidos naquele dia. Finalmente, depois de 4 anos, anuncia-se a condenação dos policiais estupradores.

Sem esse braço armado a política tucana não funciona. Para Alckmin a repressão tem mais peso que a educação, pois um mínimo de educação de qualidade pode mostrar em pouco tempo as contradições e o descaramento de seu governo. Por isso, melhor que qualquer escola funcionando dignamente é a ROTA e qualquer tropa de choque disposta a obedecer ordens absurdas, mesmo que seja para invadir escolas, arrastar professores pelo pátio ou bater em aluninhas de quinze anos.

Não é possível aceitar essa inversão de prioridades. Se a educação estivesse no topo, não há dúvida que o aparelho repressor do Estado não teria tanta presença e nem apresentaria o tamanho brutal que possui. Investir em educação, os países civilizados mostram, é uma das grandes saída para cortar gastos em outras áreas públicas. Porém Alckmin finge desconhecer essa verdade gritante e, em defesa de interesses privilegiados, segue caminhando na contra mão da história.

Para ele é melhor, por exemplo, desperdiçar R$ 40 mil estourando cinquenta bombas de gás lacrimogêneo numa manifestação popular do que repassá-los em forma de salário para professores sempre mal pagos. Uma réplica do Caveirão carioca para sua polícia vale mais que uma escola bem estruturada na periferia miserável. Uma tropa de choque ostentando publicamente sua letalidade soa bem melhor que o riso de satisfação de centenas de jovens tocados pela magia do conhecimento em algum centro cultural.


Para quem sonha com uma sociedade onde valores elevados da civilização sejam prioridade, não resta nenhuma dúvida, Alckmin é um caso perdido.