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sábado, 23 de janeiro de 2016

O MASSACRE NO PINHEIRINHO,
QUATRO ANOS DEPOIS

A atividade de lutas sociais desenvolvidas pelo professor taubateano Silvio Prado é quase um sacerdócio. Ele não vai atrás de verbas públicas para se deslocar e levar seu apoio aos movimentos sociais que protestam nas mais diferentes cidades do Vale do Paraíba paulista.

Sozinho, com sua máquina fotográfica comprada para registrar estes momentos históricos, o professor Silvio Prado esteve nesta sexta-feira (22) em São José dos Campos, onde os ex-moradores do Pínheirinho, que foram retirados violentamente de seus barracos pela polícia de Alckmin, protestavam.

São de autoria do professor Silvio Prado o registro fotográfico e o texto sobre mais esta manifestações popular ocorrida em uma cidade da região.

Por Silvio Prado, professor

Hoje, na Praça Afonso Pena, São José dos Campos, cerca de trezentas pessoas expulsas do Bairro do Pinheirinho, em 22 de janeiro de 2012, fizeram um ato lembrando a desocupação e o massacre sofrido pelos quase nove mil moradores daquele bairro.

Entre 2004 e 2012, esses moradores, sem nenhum recurso público, ergueram mais de mil casas, organizaram um pequeno comércio, construíram sete templos religiosos e áreas de lazer num terreno de 1,3 milhão de metros quadrados pertencente a massa falida da Selecta SA, empresa do mega investidor Naji Nahas. Até coleta de lixo foi organizada pelos trabalhadores nesse bairro da Zona Sul de São José dos Campos.

Pelos milhões em impostos que a prefeitura deixou de receber da empresa de Naji Nahas, se houvesse vontade política o terreno teria sido desapropriado e legalmente repassado aos moradores do Pinheirinho.

Porém, o que se viu foi algo bem diferente. Prevaleceram os interesses dos senhores do sistema imobiliário, avalizados pela parcialidade da justiça, omissão do prefeito Eduardo Cury e a mão sempre pesada do governador Geraldo Alckmin que reuniu cerca de 2 mil policiais militares para, na base da truculência, arrancar do local todos os moradores.

No ato da Praça Afonso Pena, Marron, o principal líder da antiga ocupação classificou o governador Geraldo Alckmin como “estuprador social”. Marron também lembrou o drama daqueles que, depois de quatro anos, ainda estão morando em quartos de fundo de quintal, banheiros ou mesmo tiveram que sair de São José dos Campos. Algumas crianças, segundo ele, ainda traumatizadas com os excessos cometidos pela polícia militar não podem ver uma viatura ou mesmo um helicóptero que ficam perturbadas e exigem atenção especial dos pais ou responsáveis.

Estiveram no ato de São José dos Campos lideranças da Ocupação Vila Soma, de Avaré, interior de São Paulo, que disseram que a resistência dos ativistas do Pinheirinho serve de referência para eles.

As cinco mil famílias que ocupam Vila Soma vivem situação semelhante ao das pessoas que ocuparam o terreno onde se formou o bairro do Pinheirinho. Temporariamente, devido a uma liminar concedida pelo STF, a desocupação está suspensa. Porém, do ponto de vista dos interesses dos trabalhadores, nada se pode esperar da justiça, como ficou bem demonstrado no caso das famílias que foram desalojadas do Pinheirinho em 2012.