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domingo, 31 de janeiro de 2016

TEMPORADA DE CAÇA AO LULA

Silvio Prado, professor

No Brasil, as lideranças populares sempre foram punidas com castigos exemplares. Zumbi, depois de destroçado o Quilombo de Palmares por um verdadeiro exército, teve a cabeça e o pênis cortados. Além da cabeça espetada em uma vara colocada em local público para o horror de todos, ainda humilharam Zumbi colocando em sua boca o próprio pênis.

Também Tiradentes, que sonhou um Brasil livre das amarras portuguesas, depois do enforcamento teve o corpo esquartejado e pedaços dele esparramados pelas estradas de minas. A cabeça, para aterrorizar e servir de exemplo, apodreceu espetada numa vara na praça principal de Vila Rica.

Antonio Conselheiro, liderança camponesa que criou o arraial de Canudos, sertão da Bahia, pagou um preço alto pelo atrevimento de erguer um arraial onde o sertanejo poderia sentir-se dono de sua vida e seu destino. Conselheiro e vinte mil sertanejos foram massacrados pelo exército brasileiro. Um extermínio onde não foram poupados nem crianças, mulheres ou doentes. Assim é nossa historia.

A maldita elite branca, sempre em acordo com interesses internacionais e antipopulares, sangra o povo quando se sente acuada pelos avanços civilizatórios que esse mesmo povo conquista. Movida pelo medo e pelo ódio, ela comete seus crimes para não ceder espaço aos verdadeiros donos do país.

O massacre midiático-jurídico que assistimos hoje envolvendo Lula e o PT é uma espécie de continuação desse enredo macabro. É preciso destruir Lula, é preciso destruir o PT. É preciso destruir toda e qualquer organização que signifique voz e projeto vindos dos excluídos da sociedade. Nem Getulio, filho da oligarquia e da classe dominante, foi perdoado quando adotou uma política de governo de caráter nacionalista e que levava em conta interesses populares. Ele não resistiu e disparou contra o próprio coração.

Depois Jango, que não era nenhum filho da classe operária, quis dar continuidade aos ideais de Getulio. Teve que sair pressionado pelos tanques e vozes histéricas da sociedade civil, em 1964, todos com apoio e dinheiro da CIA e do governo americano. No exílio,o ódio ainda alcançou Jango, morto certamente por envenenamento.

Agora parece que chegou a vez de Lula de carregar o peso desta cruz. Pelo seu caráter tudo indica que ele não dará um tiro no peito e nem sairá correndo para o exílio. Ele se mostra disposto a enfrentar a gentalha criminosa da direita e conta unicamente com as forças populares que , mais do que defendê-lo, precisam sair às ruas para defender o aprofundamento da democracia brasileira.


A verdade é uma só: a direita comprou uma briga que não sabe onde vai terminar. O osso agora é mais duro e os dentes da cachorrada não tem certeza se vai conseguir roe-lo. E não vai roer mesmo. Vão sair quebrados, um por um. E, depois do ultimo dente, a história será outra.