Páginas

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

VIOLÊNCIA CONTINUA
EM ALTA EM TAUBATÉ

Silvio Prado, professor

Na contra mão do Estado, cresceu os índices de violência em Taubaté e no Vale do Paraíba durante o ano de 2015. Proporcionalmente, Taubaté bate a capital paulista e também a grande São Paulo em índices de violência. Surpresa? Nenhuma. Falta policiamento na cidade? Com certeza, não. Talvez haja falta de foco da polícia. Dois casos certamente ajudam a entender porque o trabalho policial em Taubaté não rende os resultados que se espera.

Quem não se lembra da reunião realizada na Praça Dr Barbosa de Oliveira para discutir o novo preço do transporte coletivo, realizada no final do ano passado? Além dos participantes do movimento, quem foi que apareceu de surpresa por lá? A polícia militar, ameaçando prender todos os integrantes do movimento. Havia algum criminoso presente? Não.

Portanto, ao invés de colocar seus homens em locais onde a possibilidade de ocorrer crimes e violências é quase que certo, pelo menos dez policiais ficaram na Praça Dr Barbosa atazanando a vida de pessoas honestas e dignas, preocupadas com um problema que afeta toda a população. De repente, a polícia viu todos como bandido e esqueceu de ir atrás dos verdadeiros bandidos. Perdeu tempo e trabalho, além de os policiais envolvidos, via Defensoria Pública, sofrerem um merecido processo.

Outro procedimento rotineiro que não ajuda a polícia a produzir segurança de verdade é a presença constante de muitos policiais marcando em cima os trabalhadores ambulantes de Taubaté, precisamente no centro da cidade, como se todo ambulante fosse criminoso e merecesse punição imediata. Relatos de muitos camelôs de reconhecida honestidade são escandalosos e mostram gente da polícia destratando esse tipo de trabalhador. Ora, enquanto se marca duramente quem de fato trabalha, alguns criminosos andam leves e soltos pela cidade e ajudando a engrossar estáticas sobre violência.

Para concluir, é bom perguntar: e a eficiência desse artifício chamado Atividade Delegada, serve para quê em Taubaté? Em muitas partes da cidade, vemos rotineiramente policiais andando em dupla e trabalhando no dia em que deveria ser o de sua folga. Até que ponto esse policial, sem folga e sem descanso, está conseguindo produzir segurança, como se prometeu na época da assinatura desse convenio? Será que compensa a prefeitura torrar um dinheirão com um trabalho de resultado duvidoso?

Para ser justo não se pode responsabilizar apenas a ineficiência do aparato policial pelo crescimento da violência na cidade. É preciso também cobrar do prefeito Ortiz Jr a sua parte. Ora, Taubaté nos últimos anos se transformou numa cidade onde todo o serviço público funciona precariamente e não se conhece uma política pública que, de forma geral, sirva de atração e meio de formação para a juventude. Ou de freio para que o jovem não entre de cabeça no mundo do crime. Nada funciona por aqui, nem da parte da prefeitura, do estado ou da federação. A ausência do Estado em áreas fundamentais para a formação do jovem é escandalosa.

Portanto, onde o estado vive ausente, o crime floresce e não adianta colocar um policial em cada esquina na tentativa de coibir a violência. Os métodos ultrapassados de atuação policial, somados à omissão geral do estado no atendimento da juventude e do cidadão, são estímulos facilitadores para a ação criminosa. Sendo assim, nenhuma surpresa!