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domingo, 14 de fevereiro de 2016

AINDA SOBRE A HIPOCRISIA
DE VEREADORES E AFINS

Silvio Prado, professor

Não acredito que propaganda de motel por mais ousada que seja venha a afetar a vida de uma criança ou adolescente. Coisas bem piores são vistas todo dia por crianças e adolescentes, principalmente nas ruas da cidade. Duvido que um corpo seminu, de homem ou mulher, seja mais agressivo que a imagem de um cadeirante, incapacitado para o trabalho e faminto, suplicando moedinhas em qualquer semáforo da cidade. Uma desumanidade!

O casal, sorridente e feliz, que aparece numa foto gigante, dentro de uma banheira, envolto por água e espuma no quarto de um motel, não agride mais do que a realidade desumana de um barraco de favela e seus moradores, tratados como subgente e bandidos que precisam ser exterminados pelas gangues encapuzadas, muitas vezes até da polícia.

Nenhum beijo de língua ou carícia mais atrevida, mesmo em público, tem a agressividade de crianças, em Campos do Jordão, vendendo peras e pinhão na época mais fria do ano, enquanto turistas indiferentes passam por elas trancafiados em carros blindados de 200 mil ou mais reais seguindo felizes para beber vinhos caríssimos em mansões de outro mundo.

Essa mania de achar que a exposição do corpo escandaliza porque supõe mostrar em público o que, segundo a tradição, só pode ser feito e mostrado em ambientes fechados e restritos, pode ter lá alguma razão. Porém, e os corpos, geralmente bem cobertos, expostos em filas reais do sistema de saúde, esperando pelo remédio que não tem, pela cirurgia marcada para daqui a dois ou seis meses - ou nunca ser feita porque o paciente morre antes - , ou pela dor dilacerante que tem cura mas não tem médico para curá-la?

O que é mais imoral, o corpo seminu e bem cuidado exposto na propaganda de motel, ou milhares de outros, sem cuidado algum, jogados na miséria produzida pela desigualdade social brasileira?

Por isso, muitas vezes penso que a pornografia industrial de revistas ou filmes, como as da tal série Brasileirinhas, mesmo com o máximo esforço e empenho de seus “atletas e maratonistas sexuais”,nunca serão tão pornográficos e imorais como muita coisa que acontece rotineiramente nas casas de leis do Brasil, inclusive na Câmara Municipal de Taubaté.

NOTA DA REDAÇÃO: Faltou ao texto, sempre profundo, do professor Silvio Prado, uma sugestão ao vereador João Vidal:  criar uma lei que proíba os taubateanos de sintonizarem a novela das 9 da Globo que mostra, sem pudor, beijos de gays, lésbicas, transsexuais e simpatizantes. Às 9 da noite, quantas crianças, entre 12 e 15 anos, ainda em formação intelectual, assistem tais cenas? Não é apenas na alcova que homens, mulheres e homossexuais se acariciam. Ou TV aberta não é pública?