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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

CONTOS E FÁBULAS
(REALIDADE E FICÇÃO)

Rodrigo Viana de Lima

(Licenciado em Filosofia pela UFES)

Sou um apaixonado por contos e fábulas, também por música, literatura (em especial os romances), poemas, por flores, pelo canto dos pássaros…”Eu sou aquele amante à moda antiga, do tipo que ainda manda flores” (Amante à Moda Antiga, Roberto Carlos).

Assim como todos os dias me levanto às 5:30 da manhã, coloco água no fogo para fazer café. Enquanto a água esquenta, vou ao meu jardim, desejo um bom dia às minhas plantas. Isso mesmo, desejo bom dia às minhas plantas. Não tenho dúvidas que os jardins são por essência fontes de inspiração.

O que diria Cartola sem as rosas, “As Rosa não Falam”, e Roberto Carlos “As Flores do Jardim da Nossa Casa”? O Titãs “Flores”, “ O jardim” do filósofo grego Epicuro (341–271 AC)? E, claro, não poderia deixar de citar “O Jardim do Édem”, de onde os primeiros humanos (Adão e Eva) foram “expulsos” e para onde desejamos retornar (paraíso). Definitivamente os jardins são inspiradores. Talvez os cidadãos devessem frequentar mais jardins e menos os escritórios, ou talvez transformar os escritórios em jardins, quem sabe assim as vidas fiquem mais coloridas, já que nunca vi um jardim em preto e branco.

Desejado um bom dia a meu jardim e meu café já pronto, passo para minha leitura diária. Sou assinante de A Gazeta/ES e, com esperança (combustível que move todo sonhador), espero encontrar nas páginas que folheio notícias sobre o Estado do Espírito Santo (local de maior circulação do jornal) e para minha frustração, as notícias importantes para informar o cidadão local, aparecem quase que como notas de rodapé (a poluição do ar por pó de minério causada pela Vale, os prejuízos ambientais causados pelo rompimento de barreira em Mariana/MG, que está afetando diretamente todo do Espírito Santo).

Já as notícias para alienar o cidadão compõe a maior parte das edições diárias (fofocas sobre a vida íntima dos artistas, o que ou quem está “bombando” na internet, sósias de pessoas famosas que fazem sucesso), ainda temos no tabloide espaço para as notícias do esporte, classificados, colunistas e página policial.

E as notícias da política local e nacional? Fiz questão de deixar essa por último. Essa é a parte mais importante de todo o jornal (pelo menos deveria ser), ela maquiavelicamente serve para (des)informar os cidadãos capixabas (e demais leitores de fora do Estado/ES que tem acesso às suas publicações).

Já há algum tempo as manchetes veiculadas pelos noticiários (tanto local como nacional) são sobre a corrupção nos governos do PT (Partido dos Trabalhadores), com o intuito único de enfraquecer a sigla do Governo para as eleições (prefeitos, governadores, deputados, senadores e presidente), chegando ao ponto de cidadãos (des)informados por empresas da desinformação, desejarem uma verdadeira “cruzada” (nova ditadura) afim de derrubar o PT do Governo Federal.

A bruxa que aprisionava Rapunzel se apresenta durante toda estória como vítima. Os enganadores que apresentam Frankenstein como um ser demoníaco, usam da sua habilidade de discurso a fim de incitar os cidadãos a caçá-lo. A Fera de “A Bela e a Fera” é condenado ao confinamento por um discurso manipulador que o torna excluído da sociedade. Em “Os três porquinhos”, os valores são invertidos, o lobo é apresentado como o vilão, na verdade ele só pretende se alimentar. “Ali Babá e os 40 ladrões” importa aos manipuladores que Ali Babá seja mal visto perante a sociedade, pois assim os 40 ladrões estarão livres para consumar seus desmandos. Ao fim de todo conto descobrimos que os personagens com discursos moralistas são os verdadeiros vilões.

Nossos dias estão muito parecidos com os contos que citei. A cada dia um novo conto (manchete), mas, com velhas estórias: Lula é acusado..., Dilma será investigada por..., O PT isso, o PT aquilo. E o que há de concreto nessas informações, além do desejo que move os vilões dos contos de se apresentarem como vítimas e, assim, enganar os cidadãos escondendo suas verdadeiras intenções.


“A justiça é a vingança do homem em sociedade, como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem”. (Epicuro).

Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. (Mateus, 26:41).

Este é um ano eleitoral, devemos estar atentos contra os vilões dos contos, já que na vida real, diferente dos contos, pode não ter final feliz.

Fica a dica.